segunda-feira, 1 de abril de 2019

Café Literário #3

Tivemos nosso terceiro encontro com muitas guloseimas e, junto, as angústias... Ler nos traz tantas alegrias e, uma delas, é conhecer outras culturas. 

Minaretes de Musalla - Afeganistão
Nós viajamos para o mundo árabe, que nos surpreendeu com suas belezas e a enorme riqueza que se concentra nos bens materiais, de consumo e de prazeres, cercado de muito luxo. Conhecemos os Minaretes (torre de forma cilíndrica), riquíssimo em detalhes, coisas não comuns no Ocidente; os Palácios dos Califados e dos Sultões, grandiosos, exuberantes, é uma junção de poetas, artistas, pensadores, artesãos de luxo cravados nos palácios; os Budas de Bamiyan (estátuas esculpidas na rocha), que foram dinamitadas em 2001 pelo regime Talibã. O Vale de Bamiyan fica na "Rota da Seda", caminho comercial que ligava o Oriente ao Ocidente.

Assim como as imagens foram destruídas das pedras, das mulheres muçulmanas é tolhido o direito de expressar suas vontades, de não saberem se eram dignas de viver, se eram pessoas capazes de erguerem as cabeças.
Antes e depois
Budas de Bamiyan

Babi, pai de Laila, um homem que criou a filha para ser uma mulher independente, levou-a até o Vale para lhe mostrar as belezas do lugar e, no alto da cabeça da estátua, olham ao longe sonhando em se mudarem para longe dos conflitos e oferecer a filha a oportunidade que naquele chão sabia não existir, seguir a rota do Ocidente apesar de amarem muito a sua terra. Os mandos de uns mudam a rota de muitos.

Os livros a "Cidade do Sol" e "Princesa Sultana" não são para ser uma leitura comparada, e sim complementar as histórias que contam a vida difícil e quase insuportável das mulheres muçulmanas, ricas ou pobres.

É certo pensar que viver uma vida limitante sendo rica ajuda a suportar mais do quê daquelas que não o são. Mas uma alma valente não se deixa levar pelas facilidades.

Mariam, Laila, Sultana, Sara, entre outras são personagens de uma dura realidade que sofrem as  opressões de um mundo totalmente dos homens, onde eles podem tudo e elas nada, quase nada. Essas mulheres já tiveram suas liberdades e hoje sofrem os horrores do descaso, dos confinamentos, casamentos arranjados, censuras, violências sexuais, vestimentas como as burcas e tantos outros desrespeitos.

Discutimos bastante sobre essas vidas e, por mais que as mulheres do Ocidente também passem por situações semelhantes, a nós ainda é permitido escolher.

"Nós mulheres árabes, só podemos encontrar a felicidade se o homem que nos domina mostrar consideração por nós; caso contrário, teremos uma vida de sofrimento." 
Extraído do livro A Vida Secreta das Princesas Árabes  -  de Jean P. Sasson

Colaboração Luciene Brigagão


2 comentários:

  1. Olá, meninas!
    Que chocante essa última frase citada...Como ainda é possível tantas mulheres viverem essa realidade e como pode tantas mulheres livres ainda acharem que a luta não é necessária?

    Somente li A Cidade do Sol, adoro Khaled Hosseini, houve momentos que era até difícil de continuar a leitura de tão densa, a gente não quer acreditar em tanta dor e sofrimento existencial.
    Abração!

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  2. Oi Dalva!Essas leituras nos deixaram com um amargo na boca, uma realidade pavorosa. Recomendo a leitura do livro A Vida Secreta das Princesas Árabes - de Jean P. Sasson. E também do livro 'As boas Mulheres da China' da jornalista Xinran . Bjs Nice

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