quarta-feira, 30 de outubro de 2019

"Maus: a história de um sobrevivente" - Art Spiegelman

Olá, tudo bem?

Hoje venho trazer a história de um livro que queria ler há muito tempo! "Maus: a história de um sobrevivente", escrito por Art Siegelman. A obra ganhou o Prêmio Pulitzer.

Bem, sempre fui muito interessada por histórias que falassem da Segunda Guerra Mundial, porque sempre penso em como tudo isso foi acontecer e tento entender as razões para todo aquele horror ter acontecido. É claro que muitos questionamentos vão ficar sem respostas.

Maus traz uma outra perspectiva daquela história. Além de relatar o ocorrido em quadrinhos, cada nacionalidade é representada por um animal; os nazistas como gatos, os judeus como ratos, os poloneses como porcos e os americanos como cachorros. 

Art Spiegelman conta-nos a história de seu pai, Vladek. Este já está idoso e com suas manias e doenças, mas o filho quer muito poder publicar sua história. A narrativa passa entre as conversas com seu pai, no presente, e as lembranças de Vladek, no passado. Nos é apresentado sua juventude, como conheceu Anja, a mãe de Art, a prisão em Auschwitz, até depois da liberdade dos campos de concentração. 

Toda a narrativa nos apresenta as dificuldades que os judeus passaram, as perseguições, as privações de liberdade nas ruas, as agressões pelo simples fato de serem judeus, as mortes e prisões. Também deixa claro que, após a libertação dos campos, a vida ainda foi bem difícil.

A história em quadrinhos não tira a beleza da narrativa, muito pelo contrário, nos faz ver o sofrimento das personagens. É como se estivéssemos juntos ao longo da história.

Se, assim como eu, você tem interesse por histórias sobre a Segunda Guerra Mundial, Maus não deve ficar fora de sua lista.

E você, já leu Maus? Conte-nos nos comentários o que achou.

Por Ale Veras

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Os Románov # 6

Olá viajantes!
Chegamos ao final do livro Os Románov, de Simon Sebag Montefiore, vamos falar das páginas 697 à 813.


Nesta etapa vamos focar mais na vida familiar do czar Nicolau II. Caso queira saber mais sobre como ele se tornou imperador e sua postura política e o casamento com Alix veja aqui!

Nicolau II e Alexandra tiveram 4 meninas: Olga, Tatiana, Maria e Anastácia. Porém, o desejo que viesse um menino era grande, afinal o pequeno se tornaria o futuro czar da Rússia. Já Nicolau, a cada nascimento, ficava feliz, mas Alix se sentia frustada.


Depois do nascimento de Anastácia, o casal imperial foi apresentado ao curandeiro francês Monsieur Nizier Anthelme Philippe, que passou a ser o apoio para ambos. 

Alexis engravidara mais uma vez, mas Nizier pede para que ela não consulte os médicos. Assim ela o fez. E teve uma grande surpresa.



"Quando o médico chegou para o parto. Alexandra finalmente permitiu que ele a examinasse: ela não estava, nem estivera grávida. Seus sintomas de gravidez eram o resultado dos poderes de sugestão de Philippe ou uma "gravidez molar", o desenvolvimento de um óvulo não viável que faz o útero crescer como numa gravidez."

Muitos da família começaram a se incomodar com a presença do tal curandeiro e resolveram afastá-lo do casal imperial, assim ocorreu, e tempo depois ele veio a falecer. Sem antes deixar um recado para a imperatriz: " Um dia vocês terão outro amigo como eu, que lhes falará de Deus."

Na vida da família Románov entra em cena Grigóri Raspútin, considerado um místico e autoproclamado 'santo', torna-se uma figura muito influente tanto dentro da família do czar quanto na política.

Neste período nasce Alexei, o filho tão desejado. Porém o pequeno Alexei sofria de hemofilia, e somente Raspútin conseguia acalmar o menino em suas crises e também das esterias de sua mãe, Alix. Assim, cada vez mais Raspútin se infiltrava na corte e a família tinha forte devoção pelo curandeiro.

A intimidade era tanta, que começou a surgir boatos que a czarina estava tendo um caso com Raspútin. Mas Nicolau não deu ouvidos aos mexericos e muitos familiares foram excluídos do convívio com o casal imperial.

Pra muitos, Raspútin não passava de um charlatão e  aproveitador que vivia na luxuria. Para outros, ele era um visionário e profeta. 

"Raspútin era um showman nato, como qualquer pregador evangélico. Podia não ter traquejo social, mas era impelido por uma ambição sem limites, um arguto senso do fluxo do poder e uma percepção instintiva da psicologia das cortes - dons mundanos ... O fato é que, com o passar dos anos, ele assumiu o papel de consigliere pessoal, religioso e político, ao mesmo tempo que não parava de fomentar seu poder, com ameaças e dissimulação, gabando-se de suas ligações nas altas-rodas, exibindo as cartas  que recebia da tsarina, acumulando subornos para exercer sua força e sua influência, e seduzindo algumas mulheres e até estuprando outras."

Depois de algum tempo Raspútin foi convidado a se retirar do palácio, mas não durou muito sua ausência. Alexei ficou muito doente e Alix apela para do místico. Alexei melhora e de imediato ela pede para Raspútin voltar ao convívio da família. Era uma dependência sem fim que a czarina tinha com este profeta.

"Durante e a noite recebi um telegrama" diz a czarina ... 'Deus viu suas lágrimas e suas orações', ele tinha escrito. 'O menino não vai morrer.' A febre de Alexei caiu... Fosse aquilo um milagre, o resultado da tranquilização da mãe ou o fato de a crise ter chegado ao clímax, Raspútin era indispensável."

Raspútin era odiado pelo povo e pelos nobres, com isso sua morte era certa. Ele escapou de várias tentativas, mas uma trama bem realizada deu cabo do místico. 

A Revolução Russa chegava cada vez mais ao seu ápice, mas no palácio tudo corria na mais santa paz. Enquanto o povo padecia de fome e frio, a família imperial desfrutava de regalias.

A Rússia estava um caos e cada vez mais Nicolau II era pressionado, não conseguindo mais se sustentar no trono se vê obrigado a abdicar.

"Tomei a decisão de abdicar, disse Nicolau - mas não deixarei o trono a Alexei. Cheguei a conclusão de que, à luz de sua doença, devo abdicar em meu nome e, ao mesmo tempo, no dele, pois não posso me separar dele."

O terceiro irmão de Nicolau se torna o imperador. Miguel se torna czar por um dia, pois também abdica do trono.

Neste meio tempo Lenin retorna do exílio na Suíça, faz um acordo com o governo alemão. É recebido na Rússia como um herói. Liderados por ele, soldados, trabalhadores tentam tomar o poder.

Nicolau e sua família foram detidos e levados pelos bolcheviques para fazer um suposto julgamento. Mas a família foi confinada e não imaginavam qual seria o seu futuro.


Dizem que por ordem de Lenin a família foi fuzilada, junto com fiéis serviçais e o médico da família. Seus restos mortais foram jogados num poço, dois corpos foram jogados numa cova rasa e borrifados com ácido sulfúrico. Não só a família imperial foi dizimada, familiares e parentes também foram fuzilados. "Dezoito Románov haviam sido mortos pelos bolcheviques".


Após anos, os corpos foram achados e identificados por DNA, com honras de Estado foram sepultados na Capela Santa Catarina da Catedral de Pedro e Paulo em São Petersburgo.





"Em 2000 Nicolau e sua família foram canonizados. Foi o encerramento de um capítulo, segundo o príncipe Miguel. Mas não o fim da história."




Caros viajantes, não relatamos com detalhe o fuzilamento da família, apesar de conhecer o ocorrido, foi muito triste ler, o coração se entristeceu.

Há muitos fatos e personagens nesta história, mas o texto ficaria longo e cansativo, por isso escolhemos apenas alguns registros. Recomendamos a leitura deste livro!

Para saber mais sobre Os Románov  veja aqui!

Obrigada por nos acompanhar nesta leitura coletiva!


Nice Sestari

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Os Románov # 5

Olá Viajantes!

Estamos quase chegando ao fim da saga 'Os Románov',  das páginas  573 à 696, do livro Os Románov, de Simon Sebag Montefiore.

Filho de Alexandre II e Marie, Alexandre III, conhecido como "Sacha" ou "Colosso", era o novo imperador. Casou-se com  Maria Fiódorovna, conhecida como "Minny", ela era noiva de seu irmão mais velho Nixa que veio a falecer precocemente.


"... 'Colosso', era aquele tipo de tsar que sempre sabia quem era e o que queria - qualidades nada desprezíveis para um líder."


Dentro do seu conservadorismo, deu um destino diferente as várias reformas que seu pai Alexandre II realizou.

Um dos acontecimentos que mais nos chamou a atenção foi que Alexandre ordena a polícia para expulsar os judeus de Moscou. Seu irmão Serguei fez isso com grande propriedade.

"Em 28 de abril, Alexandre assinou a primeira de uma série de leis que permitiam a Serguei deportar categorias profissionais inteiras... fechou a Grande Sinagoga, mandou cossacos invadirem casas de judeus e autorizou as judias a ficar na cidade com a condição de se registrarem como prostitutas. Vinte mil judeus foram expulsos."

Na vida familiar o czar tinha alguns momentos de alegria, mas não era um pai tão amoroso. Do casamento com Minny teve 6 filhos, porém só cinco chegaram a vida adulta: Nicolau, Jorge, Xenia, Miguel e Olga.

Nicolau será seu sucessor, mas sua criação foi de muitos mimos e excesso de zelo.


"O herdeiro... 'dá impressão estranha, meio menino, meio homem... Sua mãe era propensa a infantilizar os meninos." "Era um homem de horizontes estreitos e visão tacanha, e durante anos mal cruzou as paredes dos jardins do palácio..."

Nicolau tinha opiniões muito infantis apesar de ter mais de 20 anos e sempre fugia as responsabilidades. Ele tinha na família seu porto seguro. Seu tio Serguei era  de grande influência na sua vida, se correspondiam frequentemente e, depois que seu tio casou-se com Ella de Hesse, esse vínculo se estreitou, já que ele conheceu a irmã mais nova dela, Alexandra de Hesse, "Alix", que no futuro será sua esposa e imperatriz.

Seu pai adoece, tem problemas nos rins que causa Nefrite. Aos 49 anos 'Colosso' desaba, começa a ter problemas para respirar. Sabendo que o czar tinha pouco tempo de vida alguns parentes vieram lhe visitar. Também Alexandra veio para receber a benção do czar. Assim alguns dias se passaram e o imperador vem a morrer nos braços de sua esposa Minny.

"A família beijou a testa do tsar morto, depois beijou a mão do novo tsar."

Nicolau quase entrou em pânico, não tinha ideia de como ser um czar, porém recebeu apoio da família.

O novo czar ansiava para se casar e assim foi realizado o casamento com sua amada Alix. Sua noiva era neta da rainha Vitória da Inglaterra. Desse matrimonio eles tiveram 5 filhos: Olga, Tatiana, Maria, Anastácia e Alexei. Falaremos mais da família no último post.

A personalidade fraca do novo czar, deixava seus ministros de 'cabelo em pé', ele vacilava em importantes decisões, era teimoso e vivia numa redoma.

Nicolau II viu a Rússia afundar, sendo um desastre tanto militar como econômico. O primeiro  anúncio foi na sua coroação em Moscou. O tumulto foi grande, que chegou ao caos, pessoas sendo pisoteadas e mortas!

"...centenas de milhares de camponeses se concentravam no campo de Kondinka. 'Toda pessoa que visitar as bancas armadas no campo receberá uma sacola com doces, pão de mel, salsicha, uma caneca esmaltada e um pão.' " 

Outro momento angustiante foi o chamado "domingo sangrento", um massacre aconteceu em São Petersburgo. Vários manifestantes marcharam pacificamente, com a organização do padre Gapon para frente do Palácio de Inverno, porém a Guarda Imperial já estava pronta para começar o massacre. Muitos consideraram este evento o estopim da Revolução Russa.

Além destes, houveram outros fatos marcantes e triste da história do czar. A Rússia participou  da guerra com o Japão,  disputavam os territórios da China, e da  Primeira Guerra Mundial, em que o imperador coloca toda sua fé no exército. Porém, a Rússia estava completamente despreparada e seu czar também, que só fazia inspecionar as tropas, feridos de guerra e almoços com seus militares.

"Parecia viver numa névoa."   

Cria-se a Duma Estatal do Império Russo e por quatro vezes foi convocada, inicialmente para ser um órgão de consulta. A Duma estatal era a casa menor do Parlamento, e a casa maior era o Conselho de Estado da Rússia Imperial. A primeira vez da convocação foi nas negociações de paz entre a Rússia e Japão (1905). A segunda ocorreu em 1907, por curto período. Já a terceira foi de 1907 a 1912 com a dominação Outubrista, esta conseguiu uma sucessão de reformas. A quarta Duma ocorreu em 1912.

"... escreveu seu inimigo Witte. 'Sua boa formação esconde todas as suas deficiências." ..."Witte listou as 'pequenas pirraças, a esperteza infantil e tola, a desonestidade tímida' do tsar."

Com tantos fatos ocorrendo a imperatriz sai do seu mundinho e resolve, junto com o místico Rasputin, se intrometer na vida política do país.

O  próximo post, será o término desta leitura coletiva, em que falaremos, mais sobre a vida  e o fim trágico da família imperial e do misterioso  Grigóri Rasputin.

Saiba mais sobre Os Románov       #1 - #2 - #3 - #4

Boa Leitura!
Nice Sestari

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Os Románov # 4

Olá Viajantes!

A saga dos Románov continua! Hoje iremos conversar sobre as páginas 431 à 572, do livro Os Románov, de Simon Sebag Montefiore.

Com a morte de Alexandre I, a grande maioria já dizia que Constantino I, irmão mais velho de Nicolau I, seria o novo czar. Mas a surpresa veio logo em seguida.


"Em Varsóvia, em 25 de novembro de 1825, a comitiva de Constantino não sabia que ele tinha renunciado ao trono. Naturalmente, todos queriam prestar juramento, mas Constantino fez esforços frenéticos para impedir que eles fizessem. Quando Novossíltsev, representante de Alexandre na Polônia, se ajoelhou diante dele e chamou-o de "sua majestade imperial", Constantino revelou que havia renunciado ao trono."

Assim Nicolau I se torna o novo czar! Ele inicia seu reinado em plena revolta Dezembrista. Era um autocrata, e foi bem direto para reprimir os movimentos revolucionários e as sociedades secretas.

"Antes de Nicolau poder de fato começar seu reinado, ele teve de punir os rebeldes, enterrar seu irmão e coroar a si mesmo."

Diferentes de outros czares Nicolau tentou melhorar as condições de seus súditos, até a ideia de abolir a escravatura, mas ficou com o pé atrás pois temia a revolta dos senhorios.
"A servidão é um mal evidente para todos"

Ele foi o primeiro czar a usar o telégrafo, investiu em melhorias técnicas, contribuiu com as tropas russas para paralisar os movimentos revolucionários, criou a Chancelaria de Sua Majestade, entre outras coisas.

"Nicolau costuma ser retratado como o exemplo de tirano arrogante e excessivamente orgulhoso, mas ele era uma mistura rara: tinha a perspicácia e a força de vontade de governar e para controlar cada detalhe da política - e um forte senso de dever. Era um autocrata natural, talvez o modelo perfeito, mas sabia que a autocracia era um modelo falho... Ele entendia que 'a vida toda é trabalho', via seu governo como um quartel-general e seus ministros como oficiais de quem simplesmente se exigia que obedecessem a ordens, e não que as analisassem."

Casado com Alexandra Fiódorovna conhecida por 'Mouffy',  eles se amavam e tinham um bom relacionamento: "Mouffy era o centro da vida dele."A natureza suave dela e sua mente rasa substituíam princípios pela sensatez. Nicolau tinha uma adoração apaixonada por essa criatura rara e frágil.' ... Ela o adorava e o via apenas na sua beleza e felicidade."

Nicolau só veio a ter amante depois que Mouffy ficou doente, devido uma de suas inúmeras gestações. Dizem que por recomendação médica!

Amava seus filhos, e em especial seu filho mais velho Alexandre. " Nicolau acreditava que podia moldar o garoto: 'O que você teria feito com os rebeldes dezembristas?' " Eu os teria perdoado", respondeu o pequeno Alexandre com espírito cristão. "É assim que você governa", respondeu Nicolau. "Lembre-se disso: morra nos degraus do trono, mas não abra mão do poder!"

As guerras também fizeram parte de seu governo, teve sucesso contra seus rivais do Sul, a Pérsia e o Império Otomano. E levou a Rússia para a guerra da Crimeia.

"O poder de Nicolau tinha atingido seu ápice, mas sua hegemonia era frágil.... A fadiga e a rigidez do imperador tinham se tornado problemas potencialmente catastróficos. Nicolau não percebeu que o mundo havia mudado. Seu isolamento olímpico o cegou para aquilo de que o país precisava para competir com o Ocidente."

O imperador contraiu uma gripe, que piorava a cada dia. Já em seu leito de morte manda que: "...os guardas que tinham vindo ao palácio prestassem juramento a Alexandre" e pediu a família que se mantivessem unidos.

Pensou em seu Exército e sentiu um certo remorso por ter fracassado, ele disse ao filho Alexandre: "Sempre tentei fazer o que pude por eles... e quando fracassei, não foi por falta de vontade, e sim por falta de conhecimento e inteligência. Peço que me perdoem... Amei demais a guerra".

Ainda cuidando de alguns detalhes Nicolau I foi se apagando e ao olhar para sua família  disse: "Amei vocês mais do que tudo".

Chega a vez de Alexandre reinar: "Nenhum Romanov desde o primeiro, Miguel, tinha herdado uma situação tão desesperadora quanto Alexandre II - mas nenhum autocrata estava mais bem preparado... ele declarou: 'Eu quero paz', mas acrescentou, 'vou combater e morrer antes de ceder'."

Este imperador foi conhecido por suas reformas liberais, ele conseguiu fazer o que seu pai desejava porém não teve coragem: decretou o fim  da servidão.

" Alexandre ... começou a agir em 30 de março de 1856, quando surpreendeu a nobreza de Moscou declarando que a servidão era um mal, que sua abolição era inevitável - e que seria melhor se a libertação '"viesse de cima e não de baixo". Ele criou o Comitê Secreto de Reforma Camponesa..."

Mesmo sendo admirado por muitos, a falsidade, intrigas, mentiras e golpes rolavam solto pela nobreza.

Não foi diferente de outros czares em relação afetiva, casado com Marie de Hesse, se encantou pela jovem Kátia Dolgorúkaia e prometeu que se ficasse viúvo se casaria com ela e assim o fez. Neste romance havia muitas trocas de cartas amorosas e picantes.

O czar sofreu várias tentativas de morte, mas sempre escapava com sorte. Porém, por teimosia sua, um ato terrorista foi fatal para o imperador. Foi morto por jovens anarquistas em um atentado a bomba.

Seu filho Alexandre III assume o trono, o que foi uma tragédia para os russos; ocorreu o fim da reforma e o retorno à autocracia absoluta.

Alexandre III foi pai do mais conhecido czar, Nicolau II, em breve saberemos mais sobre ele!

Saiba mais sobre a família Románov  #1 - #2 - #3

Boa Leitura!

Nice Sestari


sábado, 12 de outubro de 2019

Os Románov #3

Olá viajantes!

Hoje vamos saber mais um pouco desta família ímpar, páginas 273 à 429, do livro Os Románov, de Simon Sebag Montefiore.

Catarina, a Grande, nos surpreendeu, foi casada com Pedro III apesar de não fugir a regra de ter vários amantes. Ela foi a grande modernizadora de seu país, lembrando que era uma estrangeira. Com persistência estendeu as fronteiras do Império, realizou uma verdadeira reforma na administração, transformou o Império Russo na maior potência da época e foi defensora da literatura, educação e das artes. E o que mais nos alegrou foi que Catarina apreciava uma boa leitura.

"... Catarina sofria com o isolamento de sua posição. Seu primeiro consolo foi a leitura: ao contrário do marido, que lia romances de amor, ela era uma intelectual séria, que consumia as obras-primas do Iluminismo."

Imperatriz tinha amigos influentes como Montesquieu, filósofo, político e escritor francês; Denis Diderot, escritor e filósofo francês; e Voltaire, ensaísta, poeta, filósofo Iluminista, historiador e dramaturgo.

Porém, Catarina não achava bom melhorar a vida dos seus súditos, principalmente os mais necessitados. Ao contrário, deu mais poder aos nobres e senhores de terra.

Com 68 anos de idade, Catarina dá o último suspiro. E seu legado vai para seu filho Paulo. Porém a vontade da imperatriz era que o seu neto Alexandre fosse o novo czar.

O novo czar, Paulo, era o único filho de Catarina e Pedro III. Ele não se destacou muito enquanto sua mãe estava viva, mas quando ascendeu ao trono, mostrou pra que veio.

"... Paulo se deleitava com o poder, orgulhoso de que um Románov homem era novamente imperator. Despejava decretos... Suas decisões eram publicadas na gazeta oficial e inspiravam ao mesmo tempo medo e sensação de ridículo."

"Nas paradas, ele afirmava seu poder em observações dignos de Calígula..."

"Nunca houve um soberano mais terrível em sua severidade ou mais liberal quando se sentia generoso ... Em meio a toda essa excentricidade e ridículo, havia um elemento de seriedade e justiça. O imperador queria ser justo."

Seu casamento com a primeira esposa foi um fracasso e, no parto, Natália veio a falecer. 

Casa-se pela segunda vez com Maria Fiódorovna, com ela teve nove filhos. Alexandre viria a ser seu sucessor.

Uma conspiração foi organizada para assassiná-lo e em seus aposentos seus algozes não tiveram piedade.

"Os estranguladores apertaram a faixa até Paulo se imobilizar - ao que outros conspiradores "se vingaram de insultos pessoais chutando e pisoteando o cadáver, mutilando o infeliz. Eles "apertaram o nó e arrastaram o corpo, agredindo-o"."

Agora chega a vez de Alexandre I ocupar o trono, com o sentimento de culpa pela morte de seu pai Paulo.

O novo czar fez algumas reformas sociais, e também reformas constitucionais e sobre a servidão, porém não concretizou nenhuma.

"A Rússia vivenciou um festival de esperanças quando Alexandre pôs em marcha suas tendências liberais - porém o novo tsar continuou sendo um bom exemplo de inescrutabilidade."

Seu governo foi bem conturbado com o período bem difícil da história, as Guerras Napoleônicas.

Alexandre concorda em falar com Napoleão: "Os dois combinaram um encontro em Tilsit, ... Poucas visões serão mais interessantes", escreveu Napoleão. E ele estava certo. A divisão da Europa entre dois imperadores, baseada numa amizade conveniente, tornou aquele encontro um dos mais famosos da história."

O czar não tinha muita palavra, mudava de lado a todo instante. De aliado a inimigo de Napoleão, se aliou ao Reino Unido e depois se aliou a França, em suma, ele mudava conforme seus interesses.

"Alexandre começou a ver a guerra contra Napoleão como uma maneira de criar uma nova fraternidade cristã de reis, que promoveriam um reino de paz na terra."

Seu maior triunfo foi a queda de Napoleão, quando a invasão francesa da Rússia terminou num grande fiasco.

" A matança foi espantosamente intensa, 'o dia mais sangrento na história da guerra' até a Primeira Guerra Mundial'..."

Porém 'a batalha se estenderia pelo segundo dia' - " mas foi Napoleão quem deixou de obter vitória clara por falta de imaginação e ousadia, duas características que nunca haviam lhe faltado." 

Napoleão invade Moscou, mas encontra uma cidade em chamas e vazia. " Somente uns poucos professores franceses, atrizes e perigosos bandos de saqueadores atormentavam as ruas..."

"... sua presença em Moscou desrespeitava sua regra principal de que deveria conquistar exércitos, não cidades - mas ele não conseguiu resistir à histórica cidade de domos dourados. ...e esperou para negociar dentro de uma cidade em cinzas."

Com a proposta de paz  negada por Alexandre, o inverno chegando e sua tropa em desfalque, Napoleão sai de Moscou: "Numa façanha da manobra francesa e aliando sorte, coragem e incompetência dos russos, Napoleão conseguiu cruzar o Berézina e fugiu para Paris, abandonando seus homens ao inverno e à vingança dos russos."


Logo depois, com o fim da era napoleônica, Alexandre forma a Santa Aliança com as potências monárquicas da Europa.

O imperador já dava pistas de deixar a coroa, porém não deixou herdeiros; suas duas filhas morreram cedo. Quem herdaria o trono?

Já estava em andamento conspirações para matar o czar. Alguns já planejavam o poder.

O czar adoece e se recusa a se tratar e sua saúde foi piorando e entra em coma, dizem que era febre tifoide. Morre aos 47 anos o imperador Alexandre.

Há uma lenda que Alexandre continuava vivo e teria se tornado um eremita!

Agora a saga continua: quem será o próximo czar? Qual dos irmãos, Constantino ou Nicolau ocupará o lugar do imperador Alexandre?

Tiraremos esta dúvida no próximo post!

Saiba mais sobre Os Romanov  aqui e aqui !

Boas leituras!


Nice Sestari


segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Inspiração !

Olá viajantes!

Hoje é dia de mostrar umas arteirices!

Trouxemos algumas delicadezas: cartão, marca-página e cartão postal, inspirados em Jane Austen!

Com papel color set, silhueta de Jane Austen e pequenas rosas, eis um singelo cartão! 

Na parte de dentro do cartão há um pequeno envelope e um mini cartão. Este marca-página foi feito com papel de scrap e color set preto, flores e folhas com uso do furador!

E, para finalizar, um lindo cartão postal e pequenos envelopes amarradinhos com fita, dentro deles palavras de carinho e amizade!

Um pouco de leveza para alegrar o dia!

Veja também nossos marca-páginas aqui!

Nice Sestari

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Os Románov #2

Olá Viajantes!

Vamos continuar nossa viagem com Os Románov, das páginas 155 à 272, do livro Os Románov, de Simon Sebag Montefiore.

Com muitos detalhes, o autor nos leva a conhecer Os Románov, de tal maneira que pensamos ser um livro de pura ficção!
Pedro, o Grande

Uma das grandes figuras deste livro é Pedro, o Grande:"Pedro já era extraordinário. Um tipo estranho mas fisicamente impressionante: embora a maioria de seus retratos dê a impressão de uma gigantesca solidez, ele era alto como uma aberração... tinha movimentos espasmódicos. Seu rosto se contorcia em tiques constantes, e ele já começava a sofrer ataques epiléticos... Embora aprendesse um pouco de alemão e gostasse de mitologia grega e história romana, ele nunca dominou idiomas, gramática ou filosofia."

Pedro foi um Imperador notável em questão de modernizar a Russia, com a tecnologia do Ocidente, porém passava dos limites em crueldade. Mandou construir 14 câmaras de tortura, gostava de desconstruir o corpo humano.

O czar manda decapitar sua amante, e dá uma aula de anatomia aos presentes, segurando a cabeça de sua amante pelos cabelos e a beija na boca como uma despedida. Depois, pede para embalsamá-la.

"A qualquer momento Pedro podia passar da brincadeira para a ameaça."

Pedro não dava atenção para sua primeira esposa, Eudóxia. Já por sua segunda esposa, Catarina, ele tinha um amor profundo. Apesar de conturbado, ela sabia como tê-lo em seus braços e sempre estava presente na hora certa, seja na guerra ou nos momentos mais complicados.

"A relação de Pedro e Catarina não se baseava apenas nos atrativos físicos dela e na sofrida relação com os filhos, mas também em sua irreprimível alegria e inabalável serenidade, que lhe permitiam tratar Pedro com habilidade."
Catarina I

Com a morte do seu esposo, Catarina se torna a imperatriz .

"Catarina prometeu governar com o espírito de Pedro. Nenhuma mulher jamais havia governado a Rússia ... estava entrando numa era dominada por mulheres no governo."

A imperatriz não era diferente de Pedro, adotou a libertinagem, bebia demasiadamente, vivenciou várias guerras, teve muitos amantes, a traição corria solto e tinha muitos inimigos.
Anna da Curlândia

Após a morte de Catarina I, Anna, a filha do Czar Ivan V, duquesa da Curlândia, se torna Imperatriz junto com seu amante, Biron. Ele "exercia autoridade total" sobre Anna.

Anna saiu aos seus, foi muito cruel, fazia arremesso de anões, organizava brigas entre velhas deficientes, reduzia os aristocratas a bobos da corte; ela só queria desfrutar suas aberrações e caçadas.

Logo em seguida foi a vez de Elizaveta, a filha de Pedro, o Grande com Catarina I, ganhar o trono. Ela tinha o sangue de Pedro e não poderia ser diferente sua maneira de reinar: Mandava arrancar línguas, muitos eram esquartejados ou decapitados, mandava triturar os ossos, organizava bailes de travestis, ela tinha a mesma crueldade do pai.
Elizaveta - Vênus Russa

Elizaveta faz com que o futuro czar Pedro, seu sobrinho, se case com Sophie, Catarina, a Grande. Ele detestava tudo e principalmente a Rússia. 

Corria na boca miúda que Elizaveta havia se casado as escondidas com seu amante Razumóvski.  Ela era considerada a Vênus Russa: " Ninguém que a visse pela primeira vez deixaria de se impressionar com sua beleza e porte majestoso... dançava com perfeição e tudo o que fazia mostrava uma graça específica."

Elizaveta era viciada em moda, sentia prazer em ser tirana, teve muitos amantes e foi ficando cada vez mais perigosa à medida que envelhecia.

Para o próximo capítulo, vamos conhecer Catarina, a Grande!

Saiba mais sobre Os Románov aqui e aqui!

Nice Sestari