quarta-feira, 1 de abril de 2020

Machado de Assis - Conto # 6

Olá Viajantes Machadianos!

O conto 'Linha Reta e Linha Curva', pertence ao livro Contos Fluminenses! Vamos para mais uma aventura Machadiana!

Atenção: Não contém spoiler!


Neste conto, Machado de Assis nos apresenta o casal Ernesto Azevedo e Adelaide, que estão há três meses casados e felizes.

O jovem casal recebe a visita inesperada de Tito,  amigo de infância de Ernesto. E acaba por hospedar-se ali mesmo, por insistência de Ernesto.

Tito é um rapaz alegre, cativante, de boa prosa, um solteirão convicto e que deixa todos curiosos por saber, qual a razão de não querer viver as experiências do amor.

Como o casal sempre recebe amigos em sua casa, a visita da jovem viúva Emília chama atenção de Tito, e assim começa um jogo de sedução.

Emília não vem sozinha, junto com ela vem seu admirador e enamorado Diogo, já na casa dos 50 anos.

Em certo momento, a conversa pende para o desinteresse de Tito pelo amor. Ele mesmo diz que tal sentimento existe, mas não tem vocação para tal. Até dá várias razões para não conseguir essa façanha, diz que não é bonito, que é desprovido de curiosidade e paciência, que todo amante deveria ter.

Todos ficam intrigados com a fala de Tito, Emília conta a Adelaide, que deseja pregar uma peça em Tito, fazendo com que ele se apaixone por ela, assim como no passado ela "vingará" as mulheres e conseguirá contradizer o discurso do rapaz.

Tito em determinado momento conta para Adelaide e Ernesto, o verdadeiro motivo de não querer amar. No passado se apaixonou por uma bela mulher, da qual o rejeitou com tamanha frieza e, desde então, prometeu a si mesmo nunca mais amar.

Emília põe seu plano em ação, porém desperta ciúmes no seu enamorado admirador. 

Diogo, desolado de ver sua amada interessada em outro, vai até a casa de Adelaide e conta da sua dor e desespero. Adelaide, com pena do amigo, acaba por contar a verdade, dizendo que tudo não passava de uma armação. Feliz da vida Diogo retorna para casa, confiante que em breve conquistará o coração de sua amada.

Mas, o  que a amiga de Adelaide não esperava era realmente ser apaixonar por Tito. Nessas manobras que Emília se propôs, ela mesma acaba por sofrer as consequências. Porém, essa história tem tudo para acabar bem, ou quem sabe... não! Emília resolve viajar e Diogo irá em breve encontra-la, mas o coração fala mais alto, e a amiga de Adelaide resolve tomar uma atitude inesperada.

E por fim Tito revela quem foi a mulher que conquistou e machucou seu coração!

Neste conto, o autor deixa claro o ponto central da história que é o Amor. Vemos também traços da elite carioca através de Ernesto, que é um homem afortunado, tem um bom emprego e muito feliz com sua esposa Adelaide.  Desta vez não vemos a mulher idealizada, mas sim o homem como o centro do mundo, seus pensamentos racionais e a presença da verdade individual.

Nos vemos em breve com o conto Frei Simão!


Este conto faz parte do Projeto Machado de Assis, saiba mais aqui!


Boas Leituras!
Nice Sestari

segunda-feira, 30 de março de 2020

Abdias do Nascimento

Evocação da rosa

Era uma vez uma rosa 
que não era vegetal 
nem rosa mineral
carecia até da cor de rosa
era uma gata formosa
negra amarela e brancosa
irrequietamente caprichosa
vestida de suave pêlo multicor

Bichana terrivelmente amorosa
dos laços dos seus encantos
nenhum gato jamais se livrou 
pelos telhados miava dengosa
suspirava a noite inteira 
seduzindo namoradeira
toda a gataria ao
luar da lua alcoviteira

Certo dia Rosa pariu 
uma ninhada de gatinhos 
de várias cores engraçadinhos
os mais lindos eram os pretinhos 
mamavam de patinhas entrelaçadas
ronronando de olhos cerrados
boquinhas rosadas coladas
às rosadas tetas de Rosa

Num desses momentos
um gatão assassino
pêlo sujo debotado
miando feio saltou felino
matando gatinho por todo lado

A mãe valente e briosa
socorri de porrete na mão 
ajudei a defesa de Rosa
esbordoando estridente 
perseguindo o ladrão
ele fugiu espavorido
um gatinho levando nos dentes
outros sangravam na agonia
Rosa fuzilava os olhos dementes
miando plangente a dor que lhe doía
noites a fio seu gemer se ouvia
ó doce e carinhosa Rosa
era de cortar o coração 
ver-te enlouquecida 
recusar enfurecida
aquela felina traição
ir definhando entristecida
até a completa inanição

Rosa cheirosa e macia
que ao morrer no
meu jardim plantei
sob a terra desapareceu
aos cuidados da minha
pobre primavera de 
uma gata demente e morta
a rosa-gata enternecida
em rosa-flor floresceu
foram ambas a 
única rosa que 
a infância me deu

livro "Axés do sangue e da esperança: Orikis", de Abdias do Nascimento.

quarta-feira, 25 de março de 2020

# 17 Presente Literário

                                                         Maria Dezonne Pacheco Fernandes
                                                                      1910 - 1998

Foi escritora e jornalista, sua obra mais conhecida é 'Sinhá Moça' (1950) e foi re-editado várias vezes,  deu origem ao filme de mesmo nome (1953). 

Sinhá Moça virou tema de novela (1986) e ganhou um remake em 2006.

Maria Dezonne colaborou nos jornais A Tribuna, de Santos, no Diário de São Paulo, da capital paulista, e no Correio do Povo, de Porto Alegre.

Suas obras:


Folhas do coração (crônicas), 1941; 

Punhado de emoções (romance), 1945;
Sacrifício de mãe (romance), 1945; 
Evocação, (1950).

sábado, 21 de março de 2020

Machado de Assis - Conto # 5

Olá Viajantes Machadianos!

Vamos para mais um conto retirado 'Contos Fluminenses', Confissões de uma Viúva Moça.

Atenção: Contém Spoiler!!!

Logo após a morte de seu esposo Eugenia foi morar em Petrópolis, muitos achavam que ela se isolou por causa da viuvez.

Na verdade Eugenia tinha outros motivos para  isolar - se, porém ela resolve contar para sua amiga Carlota, o que a fez deixar a corte. Escreve 07 cartas à amiga, revelando o real motivo.

Certa noite, Eugenia foi ao teatro, e percebe que um rapaz a observa insistentemente, ao mesmo tempo que se sentiu envaidecida, ficou assustada com tamanha audácia. Resolveu ir embora antes da peça terminar. E ao sair, quem estava num ponto estratégico a encara-la do mesmo modo fixo? O belo rapaz!

Esse fato deixou Eugenia tão perturbada, que resolveu se afastar por algum tempo da vida social. Para sua surpresa, ela recebe uma carta do misterioso rapaz. Ao mesmo tempo que ficou curiosa, sentiu-se envergonhada e confusa.

Logo, resolveu dar o fim naquela carta. Mas, para sua surpresa, o marido a surpreendeu. Eugenia, correu para os braços dele, que friamente se afasta sem nada dizer. O coração da jovem moça se entristece ao ver a indiferença de seu marido, uma amargura toma posse de sua alma.

Eugenia era uma moça feita para o casamento, tinha uma vida social ativa, mas sem muitas novidades, e  percebe-se que ela não era muito feliz no casamento.

Depois de algum tempo, Eugenia tem uma grande surpresa, seu marido traz nada mais, nada menos que seu admirador Emílio, e ele começa a frequentar a casa do casal.

Como fugir de tal acontecimento? Emílio se declara para Eugenia que se vê apaixonada e acaba por se deixar  levar pelas juras de amor do rapaz. Mas, ela se sente mal com esta situação.

Como a vida é cheia de surpresas, seu marido adoece, e em poucos dias vem a falecer. Emílio deu todo apoio e consolo, mas com o tempo as visitas se tornam escassas. Até que  Emílio escreve para Eugenia, deixando claro que não a queria para casamento, que foi apenas uma aventura.

O que nos surpreendeu neste conto foi que Machado coloca a mulher em primeiro plano, sendo ela narradora de seus sentimentos e, de forma epistolar, Eugenia vai dando um aspecto confessional de sua saga amorosa.

Lembrando que, a mulher no século 19, mal tinha espaço para se expressar e jamais seria o ponto central de qualquer narrativa. 

Eugenia nos mostra suas verdades, fraquezas, deixa claro sua carência, porém soube silenciar no momento certo e se mostrou firme em seus princípios.

Já na figura de Emílio, Machado mostra a soberania masculina. A atitude do rapaz nos leva a crer que ele é altamente machista, volúvel, mal caráter, trata a mulher como objeto de seu desejo e prazer.

Emílio, sem cerimonia alguma, descarta Eugenia, sem se preocupar com seus sentimentos! Nosso autor deixa bem claro como era a sociedade na época. Não diferente dos tempos de hoje, em que vemos manchetes de homens que enganam mulheres carentes e que por muitas vezes dão grandes golpes financeiros.

Outro ponto que nos chamou a atenção foi a forma que Machado nos insere na história. Carlota recebe as cartas de Eugenia, mas na verdade a amiga seria nós leitores. Isso é sensacional!

Grande Machado de Assis!

Até breve, com o próximo conto " Linha Reta e Linha Curva"..

Esta leitura faz parte do Projeto Machado de Assis. Participe conosco e não esqueça de dar os devido créditos!

Nice Sestari







terça-feira, 17 de março de 2020

Machado de Assis - Conto # 4

Olá Viajantes Machadianos!

O Segredo de Augusta, integra a obra 'Contos Fluminenses' de 1870.

Atenção: Não contém spoiler! 

Machado de Assis é de uma precisão cirúrgica neste conto, apesar de se passar na segunda metade do século XIX, o assunto é também atual. Quantos de nós já não presenciamos algumas pessoas preocupadas com o julgamento social. Sim! O famoso "o que os outros vão falar". Ou aquelas pessoas que em casa é uma pessoa e fora outra bem diferente!

Bom, vamos conhecer a família Vasconcelos. Augusta, esposa e mãe, ainda tem o frescor da juventude, apesar dos seus trinta anos é muito bela e vaidosa. Adelaide a filha de apenas 15 anos, não tão bela quanto a mãe, de formas simples, foi criada boa parte de sua infância em uma fazenda e adquiriu hábitos humildes. Vasconcelos, o pai, vive para os negócios, tem uma amante e é negligente com a família. Ah! Já íamos esquecendo do tio Lourenço, cunhado de Augusta, ele é mais participativo na família do que o irmão .

Como a maioria das famílias abastadas, esta família aqui apresentada passa também por grandes provações e sim, caros leitores, por um segredo.

Com a filha na idade para se casar, Vasconcelos recebe a proposta de casamento, do amigo Gomes.  Primeiro Vasconcelos pensa em perguntar para a filha o que acha.

Mas, o inesperado acontece: o Sr. José Brito bate as portas da família, cobrando uma dívida de Vasconcelos. Sem dinheiro, logo ele vê o casamento como a tábua de salvação. O casamento que seria algo sagrado, vira moeda de troca. Afinal, o amigo Gomes poderia emprestar um dinheiro ao futuro sogro.

Ao saber do casamento, Augusta não aceita que a filha se case. E quando Vasconcelos diz que a menina precisaria se casar o mais rápido possível, para salvar a família da pobreza, Augusta vira uma fera. Ofensas para todo lado, como ela estaria na pobreza, como poderia frequentar a alta sociedade!

Em torno desta confusão, percebemos que os pais de Adelaide não estão preocupados com o bem estar dela, e sim com o deles. Afinal o casal vive de aparências, ambos são mesquinhos, o pai um boêmio, a mãe a dama fútil.

Vasconcelos percebe que, além das futilidades e a preocupação de Augusta com o julgamento social, há um segredo, do qual a esposa não quer lhe contar. E logo uma pulguinha atrás da orelha começa a coçar em Vasconcelos. Porque a esposa não quer que a filha se case com Gomes?  Será que Augusta é apaixonada pelo amigo? Será que ela teve um caso  com Gomes no passado?

Mais uma vez, Machado nos mostra uma sociedade decadente, o casamento por interesse, o autoritarismo patriarcal, a trajetória social da mulher, o falso brilho social. E mais, nos mostra uma mãe e esposa mesquinha, fútil, imatura e negligente, porém diante da sociedade uma mulher bela, admirável e dona de si.

O segredo de Augusta nos é relatado com a descoberta de Vasconcelos, quando a esposa conversa com uma amiga. Olha, por essa não esperávamos... Machado foi exemplar por nos mostrar uma sociedade de aparências.

Ficaram curiosos? Vale muito apena ler esse conto e muitos outros!

Este conto faz parte do Projeto Machado de Assis. Veja aqui!

Até breve, com  'Confissões de uma viúva moça.'

Nice Sestari


quinta-feira, 12 de março de 2020

12 de março - Dia do Bibliotecário

Olá!!! Tudo bem?

Hoje o dia é MEGAAAA especial!!! É dia do profissional que faz o seguinte juramento:

“Prometo tudo fazer para preservar o cunho liberal e humanista da profissão de Bibliotecário, fundamentado na liberdade de investigação científica e na dignidade da pessoa humana”. (CRB-8)

PARABÉNS, BIBLIOTECÁRIOS! 
Que vocês continuem conquistando muitos espaços, que mostrem à todos o caminho para a informação verdadeira, que disseminem muitas informações, que inovem suas atividades com muita tecnologia, que "coloquem ordem no caos" (Mente Brava), enfim, que sejam devidamente reconhecidos pela sociedade!

E lembrem-se sempre: 
SE TEM BIBLIOTECA, TEM QUE TER BIBLIOTECÁRIO!


Aqui vão alguns links relativos a nós, bibliotecários!

Mente Brava (loja com produtos voltados aos bibliotecários)
Santa Biblioteconomia (possui materiais e cursos preparatórios para bibliotecários)
Portal do Bibliotecário

Por Ale Veras

sábado, 7 de março de 2020

Machado de Assis - Conto #3

Olá Viajantes Machadianos!

Vamos para mais um conto da coletânea 'Contos Fluminenses'. A Mulher de Preto.

Atenção: Não contém spoiler!

Nosso autor nos apresenta a malfadada história de amor e amizade... será?!


Este trio tem muita história pra contar! Dr.Estevão, deputado Meneses e Madalena a mulher de preto.

A amizade de Estevão e Meneses vai aumentando e os dois acabam por se tornarem grandes amigos, saíam juntos e a prosa era boa. 

Certa noite Dr. Estevão vai a um baile e fica fascinado por uma jovem viúva. E saiba caros leitores, que só os livros ocupavam a mente deste Doutor.

Estevão faz de tudo, e se aproxima de Madalena, a mulher de preto. Mas, nem tudo são flores! Com o tempo Madalena conta seu segredo à Estevão e todo seu amor cai por terra. Ele se sente usado. Mas resolve ajuda-la.


Meneses, faz parte de toda a história, nela contém uma grande dúvida, da qual o deputado acusa Madalena de traição, e Madalena nega... acredito que pensaram em Dom Casmurro?


A suposta ou real traição também nos deixa de orelha em pé neste conto!


Mesmo triste, Estevão serve de mediador para Madalena e Meneses. Eles nem desconfiam dos sentimentos do amigo.


Machado nos envolve num jogo psicológico, repleto de mistério, nobreza de valores, o comportamento feminino, a visão que os homens tinham do objeto desejado, a idealização existente na época sobre a  mulher e como não poderia faltar, os costumes da classe rica da cidade do Rio de Janeiro.

Este conto faz parte do Projeto Machado de Assis, saiba mais aqui!

Até breve, com o conto 'O segredo de Augusta'.

Boas Leituras!
Nice Sestari