sexta-feira, 5 de abril de 2019

O Feijão e o Sonho

Olá  viajantes!

Neste primeiro semestre o Projeto 'Tem que Ler Mesmo?' nos desafia a ler livros da Série Vaga-Lume.

Escolhi para ler 'O Feijão e Sonho' de Orígenes Lessa.
Uma leitura super gostosa, com momentos divertidos, porém de muitas reflexões e com temas que dariam discussões para mais de dias, como racismo, machismo e o papel da mulher na sociedade da época. Lembrando que sua primeira edição foi publicada em 1938. 

Poderia ser mais um livro clichê, mas o autor nos convida de forma simples e cativante a vivenciar a vida difícil do poeta Campos Lara e de sua família.

Nesta obra há símbolos muito fortes que se confrontam. O poeta Carlos Lara e o seu sonho, seus momentos tão fora da realidade, ele parecia um lunático e ao mesmo tempo de uma profunda delicadeza de alma.

"E Campos Lara se reconciliava com o exílio. Doçura, suavidade. Deus nobis haec otia fecit. Como era bom não fazer nada!"   (pg 33)

"Aquele dia ele se deixara ficar mais que de costume. Perdera mesmo longo tempo, esquecido dos pássaros e do céu, embaixo da gameleira copada e repousante. Olhando o quê? Ouvindo o quê? Cismando à toa, ... desiludido e cansado, ele se renovava." (pg 34)

Já Maria Rosa era pura razão, vivia na realidade dura de criar, alimentar e vestir seus filhos. Não foi a vida que sonhava, porém era a que tinha escolhido, já que ela fantasiou que casar com um homem letrado a faria viver num mundo encantado.

"... um moço importante. Escrevia nos jornais. Tinha publicado um livro. Diziam que era um grande poeta!" (pg 53)

"... Um inadaptado, um incapaz para a vida prática. Homem como ele não nascera para o casamento, para a vida do lar. Não tinha jeito para ganhar dinheiro, incapaz de prover às necessidades da família. Maria Rosa tinha razão, quase sempre. Ela era o Bom Senso. Ele, o Sonho. Nunca vão juntos os dois. Ouvia humildemente, com resignação fatalista, os destemperos da esposa. Maria Rosa não era inimiga. Maria Rosa era o outro lado da vida..." (pg 35)

Esta leitura me fez lembrar de um velho ditado e sempre atual, "Nem tanto ao céu e nem tanto à terra", tudo nesta vida tem que haver um equilíbrio, entre o sonho e a realidade.

Ah! Antes que me esqueça, Maria Rosa sonhava com um futuro melhor para seu filho, sonhava em ver o filho Engenheiro e para Campos Lara  quem sabe o menino seria Advogado... para a surpresa de todos será poeta.

"...Correu os olhos pelo poema, versos livres, linguagem nova, imagens febris, uma revelação inquietante de poeta..." (pg 128)

"Seu filho era poeta. Um arrepio de orgulho e de emoção percorreu-lhe a pele." (pg 128)

Não posso deixar de dizer que o capítulo 17 é o melhor!

Até breve, boas leituras!!

Veja outros livros da Série Aqui e aqui

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Uma História Comestível da Humanidade

Olá Caros Viajantes!
Este foi um livro muito interessante. 

Sinopse 
'O que as batatas têm a ver com a Revolução Industrial? Como o cravo e a canela ajudaram a descobrir o Brasil? O autor deste livro conta a história da humanidade através da comida. Usando os alimentos como chave para o passado, revela como impulsionaram grandes conquistas e também grandes desastres - como guerras e fomes coletivas. Desde o surgimento da agricultura, há milhares de anos, a comida determinou estruturas sociais e divisões de classe, e chegou mesmo a traçar a forma atual do mapa-múndi. Essa viagem pelo passado espera ajudar a repensar desafios futuros, como temas que vão desde a agricultura orgânica e o uso de transgênicos a uma questão - até quando haverá comida suficiente para alimentar uma população mundial em crescimento?'

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O autor nos leva de forma bem leve, a saber como o homem evoluiu e se destrói por causa da comida. 

Ele nos mostra a conquista do homem, diante de outras terras... a forma que muitos países cresceram os olhos para as preciosidades alheias. 

As guerras, a inteligência ou falta dela para a miséria coletiva, a divisão de classes, o surgimento da agricultura, a industrialização e como o homem transformou a comida. 

A evolução do teosinto ao protomilho e à espiga moderna.
Um exemplo que achei muito interessante foi o milho. 

'Embora muitos animais coletem e armazenem sementes e outros gêneros alimentícios, os seres humanos são os únicos a cultivar deliberadamente produtos agrícolas específicos e a selecionar e propagar determinadas características desejadas.'

'O milho fornece a melhor demonstração de que colheitas domesticadas são inquestionavelmente criações humanas.

(...)de inteiramente silvestres, passando por plantas que tiveram algumas características modificadas para convir aos seres humanos, até aquelas inteiramente domesticadas, que só podem se reproduzir com ajuda humana. O milho encaixa-se na última categoria. Ele é o resultado da propagação, pelos seres humanos, de uma série de mutações genéticas aleatórias que o transformaram de uma simples erva num estranho e gigantesco mutante que não pode mais sobreviver na natureza. O milho é descendente do teosinto, um capim silvestre nativo do que hoje é o México. As duas plantas parecem muito diferentes. De fato, porém, apenas algumas mutações genéticas foram suficientes para transformar uma na outra.' 

'Não é nenhum exagero sugerir que a Revolução Industrial marcou o começo de uma nova fase na existência humana, assim como a revolução neolítica associada à adoção da agricultura havia feito cerca de 10 mil anos antes. Ambas foram revoluções energéticas: o cultivo deliberado de plantas domesticadas fez com que uma quantidade maior da radiação solar que chega à Terra ficasse disponível para a humanidade.'

'A guerra realçou a maneira como os produtos químicos podiam ser usados tanto para sustentar a vida quanto para destruí-la. A Alemanha foi obrigada a escolher entre usar sua nova fonte de amoníaco sintético para alimentar o povo ou para fornecer munição ao exército.'

'Numa ilha remota no círculo Ártico, a pouco mais de 1.100 quilômetros do Polo Norte, (...) Atrás das pesadas portas de aço, um túnel de concreto reforçado (...)algo que talvez possa ser considerado o maior tesouro da humanidade. As câmaras serão cheias com bilhões de sementes.'

Foi uma leitura que nos leva a pensar no futuro do planeta, e como devemos ser gratos por ainda termos o que comer!!!!
By Nice Sestari

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Café Literário #3

Tivemos nosso terceiro encontro com muitas guloseimas e, junto, as angústias... Ler nos traz tantas alegrias e, uma delas, é conhecer outras culturas. 

Minaretes de Musalla - Afeganistão
Nós viajamos para o mundo árabe, que nos surpreendeu com suas belezas e a enorme riqueza que se concentra nos bens materiais, de consumo e de prazeres, cercado de muito luxo. Conhecemos os Minaretes (torre de forma cilíndrica), riquíssimo em detalhes, coisas não comuns no Ocidente; os Palácios dos Califados e dos Sultões, grandiosos, exuberantes, é uma junção de poetas, artistas, pensadores, artesãos de luxo cravados nos palácios; os Budas de Bamiyan (estátuas esculpidas na rocha), que foram dinamitadas em 2001 pelo regime Talibã. O Vale de Bamiyan fica na "Rota da Seda", caminho comercial que ligava o Oriente ao Ocidente.

Assim como as imagens foram destruídas das pedras, das mulheres muçulmanas é tolhido o direito de expressar suas vontades, de não saberem se eram dignas de viver, se eram pessoas capazes de erguerem as cabeças.
Antes e depois
Budas de Bamiyan

Babi, pai de Laila, um homem que criou a filha para ser uma mulher independente, levou-a até o Vale para lhe mostrar as belezas do lugar e, no alto da cabeça da estátua, olham ao longe sonhando em se mudarem para longe dos conflitos e oferecer a filha a oportunidade que naquele chão sabia não existir, seguir a rota do Ocidente apesar de amarem muito a sua terra. Os mandos de uns mudam a rota de muitos.

Os livros a "Cidade do Sol" e "Princesa Sultana" não são para ser uma leitura comparada, e sim complementar as histórias que contam a vida difícil e quase insuportável das mulheres muçulmanas, ricas ou pobres.

É certo pensar que viver uma vida limitante sendo rica ajuda a suportar mais do quê daquelas que não o são. Mas uma alma valente não se deixa levar pelas facilidades.

Mariam, Laila, Sultana, Sara, entre outras são personagens de uma dura realidade que sofrem as  opressões de um mundo totalmente dos homens, onde eles podem tudo e elas nada, quase nada. Essas mulheres já tiveram suas liberdades e hoje sofrem os horrores do descaso, dos confinamentos, casamentos arranjados, censuras, violências sexuais, vestimentas como as burcas e tantos outros desrespeitos.

Discutimos bastante sobre essas vidas e, por mais que as mulheres do Ocidente também passem por situações semelhantes, a nós ainda é permitido escolher.

"Nós mulheres árabes, só podemos encontrar a felicidade se o homem que nos domina mostrar consideração por nós; caso contrário, teremos uma vida de sofrimento." 
Extraído do livro A Vida Secreta das Princesas Árabes  -  de Jean P. Sasson

Colaboração Luciene Brigagão


quinta-feira, 21 de março de 2019

# 12 Presente Literário

Maria Firmina dos Reis (1822-1917)
Considerada a primeira romancista brasileira, publicou seu romance 'Úrsula' (1859). Já em 1887 publicou seu conto 'A Escrava', na Revista Maranhense. Muito ativa colaborou na imprensa local, era abolicionista, participou de antologias, fez várias composições musicais, foi a primeira a criar as aulas mistas.
Em São Luis no Maranhão, na Praça do Phantheon, dentre vários bustos de importantes escritores está o de Maria Firmina dos Reis. Detalhe que é a única mulher.

Suas Obras:
Romance
Úrsula (1859)



Poemas publicados

em Parnaso Maranhense (1861), A Imprensa, Publicador Maranhense, A Verdadeira Marmota, Almanaque de Lembranças Brasileiras, Eco da Juventude, Semanário Maranhense, O Jardim dos Maranhenses, Porto Livre, O Domingo, O País, A Revista Maranhense, Diário do Maranhão, Pacotilha e Federalista.

Cantos à beira-mar - Poesias (1871)

Conto
A Escrava (1887) - A Revista Maranhense n° 3
Gupeva (1861/62) O Jardim dos Maranhenses e (1863) Porto Livre e Eco da Juventude

Composições Musicais
Letra e música -
Auto de bumba-meu-boi
Hino à Mocidade
Hino à liberdade dos escravos
Rosinha
Pastor estrela do oriente
Canto de recordação “à Praia de Cumã”

Valsa - letra de Gonçalves Dias e música de Maria Firmina dos Reis

A Edições Câmara, disponibiliza gratuitamente para download o livro Úrsula e outras obras. Veja aqui

quarta-feira, 20 de março de 2019

Lendo Brasil 3/27

Paraíba foi o Estado sorteado, vamos para mais uma viagem! 

Desta vez será com José Lins do Rego - Menino de Engenho -

A Paraíba localiza-se no leste da Região Nordeste. Além do Oceano Atlântico, faz limite com os estados do Rio Grande do Norte, Pernambuco e Ceará. 
Antes do descobrimento do Brasil, o território que hoje corresponde à Paraíba, possuía inúmeras tribos indígenas (potiguaras, cariris e os ariús).
Há vários poetas e escritores ilustres como Augusto dos Anjos, Ariano Suassuna, José Américo de Almeida, José Lins do Rêgo, entre outros.


terça-feira, 19 de março de 2019

O Apelo da Selva

Olá Caros Viajantes!
Hoje vamos viajar por uma história que te faz refletir, chorar, rir, odiar, amar e perceber o quanto somos iguais, quando a vida não nos dá escolhas.
Jack London, nos conta a história de Buck, 'que nem era cão domesticado nem de canil' ... 'ele era o rei, rei de tudo naquele sítio..., rei até dos homens'. Seu pai Elmo, era um são-bernardo e sua mãe Shep, uma pastora escocesa de raça. 

Em 1897, com a descoberta das minas de Klondike, muitos homens partiram para o norte gelado. Certa noite a traição de um empregado da casa, Buck foi levado, vendido e nunca mais viu seu amado dono. 

Com tanto sofrimento e novidades pela frente Buck, percebe que terá que mudar e como instinto de sobrevivência sua personalidade vai mudando e aprende como lidar com os homens e outros cães, que nem sempre são seus amigos. 

"A sua evolução (ou involução) foi rápida. Os músculos tornaram-se-lhe rijos como aço e 
acabou por ficar insensível a todas as dores vulgares. Conseguiu uma economia interna e externa... A vista e o olfato tornaram-se-lhe extraordinariamente finos, e o ouvido desenvolveu-se nele com tal agudeza que, mesmo ao dormir, ouvia mais indistinto e sabia distinguir se ele pressagiava a paz, se perigo. Aprendeu a arrancar com os dentes o gelo que se lhe encravava entre os dedos das patas; e quando cheio de sede, deparava com uma espessa camada de gelo formada sobre a fonte, sabia quebrá-la, ... A sua característica mais especial era uma habilidade extraordinária para farejar o vento e prevê-lo uma noite antes." 

"E aprendia tudo isso não apenas por experiência, mas porque instintos há muito adormecidos nele acordavam." 

Buck também consegue encontrar uma mão amiga, chamada John Thornton. O amor que Buck sentia por ele não parava de crescer, fortes emoções esses amigos viveram. 

Mas, Buck sentia o chamado mais íntimo, que o fazia se distanciar cada vez mais de tudo e de todos. 

"Das profundezas da floresta soava um apelo; e todas as vezes que ele ouvia essa voz, misteriosamente vibrante e hipnotizadora, sentia-se tentado a voltar as costas ... para mergulhar na floresta e ir para longe.." 

Um livro que te deixa com ressaca literária!

Até a próxima e boas leituras!

Conheça Caninos Brancos

By Nice Sestari

sábado, 16 de março de 2019

Leituras da Série Vaga-Lume


Oiii pessoal, tudo bem?
Lá no Projeto “Tem que ler mesmo?”, neste semestre, colocamos como desafio ler obras da série Vaga-Lume. Então, passeando pela biblioteca, aproveitei para pegar 2 livros emprestados, que são: A Ilha Perdida e Missão no Oriente.
Falarei um pouquinho deles aqui...


“A Ilha Perdida” – Maria José Dupré
A história conta a aventura de Henrique e Eduardo que, ao ir passar uns dias na casa do padrinho, perto de Taubaté, se aventuram em descobrir os segredos da Ilha Perdida. Os irmãos não medem esforços para chegar à ilha e até enfrentam os perigos do Rio Paraíba para cumprirem esta missão. Mas, o que os garotos não imaginavam, é que já haveria um habitante na ilha, aliás, muito misterioso.
A autora traz uma narrativa muito gostosa de ler e nos coloca bem perto da natureza. Ao nos aventurarmos junto com Henrique pela ilha, entendemos como é importante o equilíbrio entre a natureza e o homem.
Os meninos também nos lembram de sempre, em qualquer hipótese, não fazer as coisas escondidos. Pensa no perrengue deles: a canoa levada pela correnteza do rio, um dos irmãos perdidos na ilha e os padrinhos que não sabiam onde os meninos estavam. Enfim, vale a pena dar uma boa lida!




“Missão no Oriente” – Luiz Puntel
O livro aborda a história de Mônica, uma descendente de japoneses que vai atrás do avô no Japão. Não conseguindo passar no vestibular, ela decide fazer esta viagem, sem saber que aconteceriam muitos fatos que a transformariam.
O choque cultural é mostrado ao longo da história, no dia a dia da personagem. Mas, ela encontra amigos que fazem com que os dias sejam menos penosos. Junto a Mário, Nélson e Taeko, sua amiga de infância, a missão de encontrar seu avô vai sendo compartilhada.
Mônica se depara com pessoas misteriosas, que sempre lhe falam do florescer das cerejeiras ou do encontro que ela deve ter consigo mesma.
Confesso que este livro me prendeu bastante (mais do que A Ilha Perdida)!
Pode-se aprender, inclusive, algum vocabulário japonês, palavras simples mas que são explicadas ao longo de toda a história. Outro ponto é o amadurecimento da personagem que, tomando contato com a cultura japonesa, vai se aceitando enquanto descendente.

O bom de ler estas duas histórias é que falaram de lugares que conheço, como Taubaté, Rio Paraíba, o bairro da Liberdade, então nos sentimos próximos dos personagens e de toda a narrativa.


Por Ale Veras