quinta-feira, 30 de junho de 2016

O Pequeno Príncipe - A história do filme -


Este livro é tão singelo e doce, como o 'Pequeno Príncipe'.

A menina não tem nome, isso já nos convida a participar do livro na integra. Sim a personagem principal pode ser eu ,você e quem mais quiser!

Personagens como a mãe , o chefe, os examinadores, o empresário, são o nosso dia a dia, em que somos engolidos por nossas obrigações, vícios , comodismo e ambição .

"_ Este mundo se tornou adulto demais. As pessoas grandes acreditam ter compreendido o essencial, mas elas esqueceram tudo."
 
Tudo se torna cinza, sem graça, nos permitimos ser levados pela massa, por falsos ídolos, pela falta de tempo, a rotina e quem sabe, pela falta de esperança.

"_ O problema não é crescer, mas esquecer _ ..."
 
A criança sonhadora, acaba por ser engolida pela tristeza... pelos baobás!

Mas ali num cantinho dentro do coração, encontraremos o que é essencial. Vejo o aviador como nosso inconsciente, nos chamando, para encontrar a verdadeira felicidade.

"_ Cativar é algo quase sempre esquecido. Significa "criar laços"... Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro."
 
Este livro tão simples nos faz pensar, onde está a criança que fomos um dia, os sonhos impossíveis, o amor incondicional, a alegria ao lado dos amigos , o herói a desbravar o mundo?
No livro, a pequena garotinha, encontra-se com Sr.Príncipe já adulto, preso as suas obrigações e com medo do seu chefe. Mas , ela o faz relembrar o que tem de mais precioso, e mostra que o 'pequeno príncipe' ainda mora dentro dele. Lembrando o amor pela rosa e suas aventuras.
"Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante."
 "_ Não era uma flor comum, era a minha rosa. E eu me lembro dela. Eu me lembro de tudo. Só se vê bem com o coração.

Assim floresce a amizade, a alegria, a esperança e principalmente retornamos a sonhar.

 Devemos nos permitir mais e encontrar a felicidade, convidar a criança que habita em nós, e nos permitir voar, e principalmente...
"_ Corremos o risco de chorar um pouco quando nos deixamos cativar..."
"_ Por favor...desenha-me um carneiro!"

domingo, 26 de junho de 2016

# 7 - Presente Literário



 Richard Matheson
20/02/1926 - 23/06/2013
Reconhecido contista, escritor e roteirista, foi um dos maiores nomes da literatura fantástica, ficção científica e terror.

Várias de suas obras ganharam a telinha do cinema, como: 
Eu Sou a Lenda;
Em Algum Lugar do passado ;
Amor Além da vida;
Além do Horizonte;
Ecos do Além;
Gigantes de Aço e outros.

Escreveu vários episódios para a série Além da Imaginação e Star Trek.

Spielberg estreia com  uma obra de Matheson , Encurralado (1971).


"Stephen King já assumiu em entrevistas que o considerava entre os favoritos de sua estante pessoal. 
Anne Rice disse certa vez que o conto “A Dress Of White Silk” foi a sua inspiração para escrever sobre vampiros e o sobrenatural. 
Ray Bradbury, escritor de  Fahrenheit 451 , nomeia Matheson, como um dos maiores escritores do século XX."
 
Curiosidades:
Em Arquivo X, o senador Richard Matherson é uma homenagem ao autor.
No jogo Silent Hill há uma rua com seu sobrenome em sua homenagem.

sábado, 18 de junho de 2016

Emma



 Heroínas de Jane Austen



Emma, Emma, Emma... 
De início nossa amada Jane Austen descreve a protagonista desta forma: "Emma Woodhouse, bela, inteligente e rica, senhora de uma confortável mansão e de excelente disposição de espírito, parecia congregar em si algumas das melhores bênçãos da existência e vivera cerca de 22 anos num mundo em que quase nada havia que pudesse perturbá-la ou aborrecê-la." (Emma - Nova Fronteira/Saraiva)

Emma já possui um grande diferencial das outras protagonistas, como em Razão e Sentimento, Orgulho e Preconceito, e Mansfield Park, da qual todas eram pobres ou passavam por privações financeiras.

Visto isso, já ficaria pensando, “nossa uma mocinha rica, quantas coisas ela poderia fazer, viajar e nos apresentar lugares incríveis, peças de teatros, organizar bailes do mais alto requinte...” Só que não...


Emma era uma mocinha mimada, 'alcoviteira' e fútil. Austen nos surpreende mais uma vez, sem deixar de lado seu humor ácido e de falar das dificuldades da mulher na sociedade. Penso que Emma vem para 'satirizar' todas as convenções e condições da mulher sobre o matrimônio.


Na sinopse do livro da Martin Claret diz assim: "Jane Austen brincou com seus leitores dizendo que Emma é o tipo de 'heroína que ninguém, além dela própria, iria gostar muito.' Entretanto, ela é irresistível, dona de uma personalidade singular e capaz de despertar no leitor o amor e o ódio ao mesmo tempo."

Emma brinca com todos a sua volta, como se brincasse de bonecas, em que cabe a ela, quem fica com quem, não se preocupando com os sentimentos alheios.


Porém, passa de lagarta a borboleta, e percebe que não é o centro da vida de ninguém, reconhece seus erros e vai amadurecendo. Ela tem um amigo, que seria o ’grilo falante’, quero dizer sua consciência, o Mr. Knightley, que vai delicadamente colocar Emma nos trilhos. Antes que me esqueça, Mr. Knightley, é de um coração nobre e de uma paciência sem igual.
 
Austen faz a obra parecer uma colcha de retalhos, em que vai tecendo cada um dos personagens, apresentando com grande maestria; todos são bem construídos e de forma delicada, vão se envolvendo e nos faz perceber as qualidades e fraquezas de cada um.


Algo que me chamou a atenção foi a importância das cartas recebidas. Isso era motivo de especulações, fofocas e confusões. Acredito que seria o facebook de hoje. Um repassa a mensagem e todos dando seu parecer, sua maneira de olhar os acontecimentos, coisa de louco. Bastava uma carta chegar para se achar assunto e expectativas.

Foi uma leitura lenta e monótona, mas valeu só por ser Jane Austen!! Há muitos leitores que amam Emma.

Eu fiquei com a turma de leitores que a odeiam! 

E você ama ou odeia Emma? 

Dá uma espiadinha no blog das Heroínas: Ale Dossena
                                                                         Patricia Dias
                                                                         Marcia
                                                                         
Boa Leitura!!! 

Veja também:  Mansfield Park
                           Razão e Sensibilidade
                           Juvenília



sexta-feira, 17 de junho de 2016

Projeto 'Irmãs Bronte'

Olá caros viajantes literários!

Dizem que participar de um projeto é bom, dois é ótimo, três é pra lá de maravilhoso... E quando é um projeto especial, sim esse projeto é super especial!

Então convido vocês a conhecerem melhor o Projeto Irmãs Bronte, com o carisma especial da nossa querida escritora Ale Dossena.

Venha participe conosco, sim eu também estou nessa.


 Bora conhecer a família Bronte!!!!

Veja o vídeo e visite o blog da Ale Dossena aqui



**O projeto aqui no blog começa exatamente hoje 17/06/2016, sem data para terminar.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Alimento pra Alma!!!!


O guardador de rebanhos  
Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa)  


Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.

Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.

Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.

Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.

Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.

E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),

É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.
 
Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

A maior paixão do mundo

 A história da freira Mariana Alcoforado e suas cartas de amor proibido

Olá caros viajantes literários!
Foi pela beleza da capa  que adquiri este livro e posso dizer, conquistou meu coração.



Sinopse 
"Em 1669 um livro chamado "Cartas Portuguesas", redigido em francês e de autor anônimo, circulava na corte parisiense causando furor. Com conteúdo polêmico, ardente e subversivo à época, falava sobre uma paixão não correspondida e arrebatadora, e continha vocabulário sofisticado e verossímil. Por isso, não faltou quem afirmasse que as cartas foram falsificadas por aristocratas franceses. Somente no século 19 o nome da freira Mariana Alcoforado foi levantado como possível autora."A Maior Paixão do Mundo" reúne um fascinante relato de 'Myriam Cyr que revela fatos em torno do mistério de Mariana a partir da pesquisa de documentos e fontes históricas realizadas' sobre as cinco cartas portuguesas até hoje reverenciadas por críticos e escritores, amantes da literatura. As missivas de Mariana Alcoforado reverenciam o amor legítimo e avassalador e sua força é tamanha que, mesmo com mais de quatro séculos de existência, são consideradas um ícone da paixão sem limites." 

Esta bela história do século XVII,  inicia-se num cenário em decadência de Portugal.  

Um linda história de amor, em tempos conturbados. O destino das mulheres eram o casamento ou o convento, muitas vezes não por amor ou vocação, mas por escolha da família e seus interesses.

As jovens que o destino era o matrimônio, se tornavam e eram tratadas como escravas, subjugadas por seus maridos. Já as que iam para o convento tinham mais sorte, se tornavam eruditas e alguns conventos tinham muito luxo.

Os mesmos homens que maltratavam suas belas esposas, tinham um grande amor platônico e espiritual  pelas freiras, cuja sabedoria lhes chamavam atenção e causavam  grande frisson no coração  de jovens,  velhos, aristocratas, políticos , soldados e generais, todos esses apaixonados, eram chamados 'freiráticos'.

No meio de tanta desordem, guerra, pobreza e corrupção ou quem sabe, ironia do destino... 'O amor estava no epicentro da vida portuguesa'. Todos só falavam de amor, respiravam amor.

Neste cenário  a freira Mariana Alcoforado conhece e se apaixona por Chamilly o homem mais desejado, misterioso e do qual o rei confiaria o país. Este jovem tinha tão boa reputação que um livro foi à ele dedicado  em 1697, com  o título 'O perfeito homem de guerra, ou descrição do herói completo'.

Já Mariana não se sabe muito, com medo de escândalos ou que a família  viesse a cair em ruínas, vários documentos foram destruídos, até mesmo da passagem de Chamilly pelo convento ou pela cidade.
a janela mais famosa de Beja

"Segundo o código vigente entre os portugueses, se um homem olhasse nos olhos de uma mulher, estaria silenciosamente pedindo a ela que se tornasse sua amante. Se a mulher devolvesse o olhar, significaria que ela concordava. Quem pode dizer se houve um olhar desses entre Mariana e Chamilly? Bastaria a ela ficar na janela de Mértola, e a ele parar seu cavalo a alguns metros de distância."

Por esse amor que a consome, cinco cartas Mariana escreve para seu grande amor, que partiu sem dar explicações. Cartas estas que além de conter grande mistério de sua autoria, serve de base para outros autores, peças de teatros e filmes  até hoje! Um exemplo Inspirado nas Cartas Portuguesas - Clarissa - 1784 - Samuel Richardson -

Para nós meros leitores nos resta deleitar com uma história tão marcante, intrigante e misteriosa.  

Visite este site  e saiba mais da peça de teatro baseada nesta história de amor.
 
Encontrei este vídeo, com a declamação de uma das cartas portuguesas.
 

 

Veja também: 


                                           

A última Concubina

Olá viajantes literários!
Minha viagem pela Ásia foi uma delícia. Fui de classe econômica para o Japão de 1860, um romance repleto de surpresas e bem escrito da autora Lesley Downer.
Sinopse

"Ambientada nos anos mais turbulentos da história do Japão, a vida de Sachi é uma mescla prodigiosa de aventura e romance. Da beleza etérea do palácio das mulheres em Edo às batalhas sangrentas travadas fora de suas muralhas, A última concubina é a evocação épica de um país em revolução e da jornada de uma jovem em busca de sua identidade. Uma inesquecível história de amor baseada em relatos reais."   


Sachi era uma menina especial, morava em uma aldeia, tinha 11 anos era pequena e frágil, seus olhos eram 'verde-escuros, tão verdes quanto os pinheiros no verão', sua pele era 'translúcida e pálida'.
Com sua beleza ímpar, Sachi chamou a atenção da princesa que passava pela sua aldeia e a levou para o palácio  das mulheres, na cidade de Edo. 

 "Você deve ir com elas. Você é uma garota de sorte. Nunca se esqueça disso. Seja o que for que faça , não chore. Seja segura e nos faça orgulhosos de você."

No castelo moravam três mil mulheres e um homem, o jovem Xogum. " O castelo era um mundo em si mesmo." 
O tempo foi passando e Sachi torna-se uma linda moça, passa para  criada júnior e ganhou um novo nome."Em vez de Sachi, "Felicidade", era agora oficialmente Yuri, "Lírio".

Quando Xogum a viu se encantou com sua alegria e com a liberdade de seu coração. Sachi é escolhida para ser  a segunda esposa, a concubina do jovem Xogum.
Neste período acontece o que muitos temiam, a guerra civil. Xogum  vem a falecer e o seu sucessor abdica do título, tudo se torna uma bagunça. Sachi a pedido da princesa foge para enganar os invasores.
Tudo que parecia estar no lugar, as tradições, costumes, conforto e luxo desaparecem. Agora Sachi se vê totalmente perdida, passa por lugares destruídos pela guerra, vivencia a violência, o medo, a insegurança. Passa fome  sede e frio, mas algo dentro dela a fazia ir para frente. 

Certa vez, quando Xogum estava sucumbindo ele escreveu para sua amada... "Não verei você outra vez. Penso em você com grande afeto. Você é jovem e inocente. Sua vida está a sua frente. Não chore por mim. A vida é severa. Aprenda a ser forte e resistente como um bambu, que se curva mas nunca se quebra, não importa quão feroz é o vento..."
Pintor Kitagawa Utamaro

 Junto com as mudanças, Sachi descobre que seu nascimento é repleto de mistérios, que sua família esconde um grande segredo e que toda sua vida até ali é uma mentira. Novos personagens entram na sua vida para bagunçar seus pensamentos, seus sentimentos e todo o resto da sua existência. 
" Realmente, a vida não era nada além de uma série de despedidas, de encontrar pessoas e se apegar a elas só para se separar outra vez."

 E foi assim a jornada de Sachi,.Com a guerra por todo país, onde não há como confiar em ninguém, nossa guerreira encontra uma fiel amiga, homens honrados e uma grande paixão.
Num lindo cenário de lendas, tradições vamos percorrendo com Sachi por todo Japão, conhecendo como este povo pensa, reage e luta pelo seu país.
Gostei muito do estilo da escritora, fiquei dias com ressaca literária e em breve pesquisarei outras obras desta autora.
Mas, agora estou arrumando as malas para viajar pela África, passaporte (livro) em mãos, minha próxima viagem será com o ilustre Ramsés!
Boa leitura e até breve!
By Nice Sestari