sexta-feira, 10 de abril de 2015

30 anos sem Cora Coralina


Em 10 de abril de 1985, falecia em Goiânia, Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretãs, nasceu em Goiás Velho, 20 de agosto de 1889, doceira, poetisa e contista brasileira. 


Considerada uma das mais importantes escritoras brasileiras, ela teve seu primeiro livro publicado em junho de 1965 (Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais), quando já tinha quase 76 anos de idade. 

Doce mulher, de alma sensível, soube enaltecer em belos versos as coisas corriqueiras do dia a dia.





O CÂNTICO DA TERRA 


Eu sou a terra, eu sou a vida. 

Do meu barro primeiro veio o homem. 
De mim veio a mulher e veio o amor. 
Veio a árvore, veio a fonte. 

Vem o fruto e vem a flor. 



Eu sou a fonte original de toda vida. 
Sou o chão que se prende à tua casa. 
Sou a telha da coberta de teu lar. 
A mina constante de teu poço. 
Sou a espiga generosa de teu gado 
e certeza tranquila ao teu esforço. 
Sou a razão de tua vida. 
De mim vieste pela mão do Criador, 
e a mim tu voltarás no fim da lida. 
Só em mim acharás descanso e Paz. 


Eu sou a grande Mãe Universal. 
Tua filha, tua noiva e desposada. 
A mulher e o ventre que fecundas. 
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor. 
A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu. 
Teu arado, tua foice, teu machado. 
O berço pequenino de teu filho. 
O algodão de tua veste 
e o pão de tua casa. 


E um dia bem distante 
a mim tu voltarás. 
E no canteiro materno de meu seio 
tranquilo dormirás. 


Plantemos a roça. 
Lavremos a gleba. 
Cuidemos do ninho, 
do gado e da tulha. 
Fartura teremos 
e donos de sítio 
felizes seremos.

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