quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

# 2 - Presente Literário

Escritora Brasileira do século XIX


 Narciza Amália
Nasceu em 3 de abril de 1852, em São João da Barra, norte do Rio de Janeiro, filha do poeta Jácome de Campos e da professora primária Narcisa Inácia de Campos.

Poetisa, professora e foi a primeira jornalista profissional do Brasil. Movida por forte sensibilidade  social, combateu a opressão da mulher e o regime escravista.

Aos 14 anos casa-se com João Batista da Silveira, artista ambulante de vida irregular, de quem se separa alguns anos mais tarde.
 
Aos 20 anos, escreve “Nebulosas”,  foi editada em Portugal, festejada por poetas e pelo imperador.
Poemas de exaltação à natureza, à pátria e de lembranças da infância da “jovem e bela poetisa”, como definiu Machado de Assis.

 
Em 1880, aos 28 anos, casa-se pela segunda vez com Francisco Cleto da Rocha, também chamado de Rocha Padeiro, dona da “Padaria das Famílias”, em Resende. Nos primeiros anos ajuda o marido, mas continua a receber em seus saraus os amigos literatos em sua casa como Raimundo Correia, Luís Murat, Alfredo Sodré e inclusive o Imperador Dom Pedro II que em sua passagem à Resende, vai visitar “a sublime padeira” , por estar ansioso “por lhe provar...do pão espiritual” embora seja ela a poetisa fervorosa republicana e abolicionista.


Seu casamento com Rocha Padeiro também não dura muito e com sua separação é obrigada a deixar Resende, cidade que considerava sua terra, pressionada por campanha maledicente promovida pelo ex-marido enciumado.


Muda-se para a Capital e dedica-se ao magistério, e em 13 de outubro de 1884, funda um pequeno Jornal Quinzenal, “o Gazetinha”, suplemento do Tymburitá que tinha como subtítulo, “folha dedicada ao belo sexo”.


Narcisa faleceu no dia 24 de junho de 1924 aos 72 anos, pobre, cega e paralítica, sendo seu corpo sepultado no cemitério de São João Batista no Rio de Janeiro. Antes de sua morte, deixou um apelo:


“Eu diria à mulher inteligente [...] molha a pena no sangue do teu coração e insufla nas tuas criações a alma enamorada que te anima. Assim deixarás como vestígio ressonância em todos os sentidos.”

Há um verbete com a biografia da escritora

Suas obras:

Poesia
Nebulosas. [prefácio de Peçanha Póvoa]. Rio de Janeiro: Garnier, 1872.

Conto
 Nelúmbia. (Conto). In: Lux!. Campos, 1. dez. 1874, p. 158-160.

Crônica
 A mulher no século XIX (crônica). In: Democratema. Comemorativa ao 26º aniversário da Fundação do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: 1882.




 
 Por que sou forte
                          a Ezequiel Freire

Dirás que é falso. Não. É certo. Desço
Ao fundo d’alma toda vez que hesito...
Cada vez que uma lágrima ou que um grito
Trai-me a angústia - ao sentir que desfaleço...
E toda assombro, toda amor, confesso,
O limiar desse país bendito
Cruzo: - aguardam-me as festas do infinito!
O horror da vida, deslumbrada, esqueço!
É que há dentro vales, céus, alturas,
Que o olhar do mundo não macula, a terna
Lua, flores, queridas criaturas,
E soa em cada moita, em cada gruta,
A sinfonia da paixão eterna!...
- E eis-me de novo forte para a luta.

Narcisa Amália (Resende, 7.9.1886), em "prefácio" ao livro "Flores do Campo" de Ezequiel Freire. Rio de Janeiro, 1874.

Um comentário:

  1. Uau Nice!! Adorei conhecer a história a Narcisa. Estou descobrindo mulheres incríveis na história da literatura!! =)
    Beijos

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