Carlos Nejar

LUNALVA Carlos Nejar Se quiserem saber quem sou - Não sei quem sou Só sei que em mim A sombra e a luz São vultos Que se buscam e se amam Loucamente Se quiserem saber do meu destino - Não sei do meu destino - Não sei do meu nome Só sei daquela sede Imensa sede Que ainda não foi saciada Se quiserem saber donde venho - Não sei donde venho Talvez venha do vento Do deserto Do mar Ou do fundo das madrugadas Não Não me amem tão depressa "Não me compreendam tão depressa" Não me julguem tão fácil Por favor Não me julguem tão mesquinho Tão cotidiano O pão que trago comigo - Não é pão É fogo O vinho que trago comigo - Não é vinho É sangue E eu vos afirmo - Todos hão de beber Do Fogo e do Sangue Poema deixado por Silbion na entrada "dos Infernos". Sélesis, 1960