sábado, 31 de agosto de 2019

Menino de Engenho #3/27

Olá Caros Viajantes!

Mais uma viagem pelo Projeto 14 Bis, desta vez foi para a Paraíba com José Lins do Rego.


Este foi o primeiro livro do autor, publicado em 1932. Obra aclamada pela crítica que recebeu o Prêmio da Fundação Graça Aranha.

O ponto central da história é Carlinhos que narra sua vida de traumas, aprendizado e malandragem. Ele tinha 4 anos quando seu pai matou  dona Clarice, sua mãe meiga e amorosa. Seu pai era apaixonado pela esposa,  atencioso com o filho, após a tragédia foi internado num hospício.

Aí a vida de Carlinhos muda radicalmente: seu tio Juca o leva para o engenho, para mais perto da família materna. Sua tia Maria o recebe com alegria e passa a cuidar dele com grande esmero.

José Paulino, seu avô e dono do engenho Santa Rosa, logo tem carinho pelo menino. Homem severo, porém justo, Carlinhos tem grande admiração por ele.

Depois da morte de sua mãe, o menino se torna triste e melancólico, mas com a novidade do engenho e com a aproximação de seus familiares, tudo vai dando um novo colorido a vida desse molecote. Ele vai conhecer a rotina do engenho com seus costumes bem diferentes da cidade e suas tradições, o que faz com que ele se sinta encantado pelo lugar e pelas pessoas. Junto com a família e vizinhos, passa pelas enchentes e secas do lugar, situações bem difíceis.

Seu primeiro amor é a prima Maria Clara, de quem ganha seu primeiro beijo, mas este romance logo termina com a volta dela para cidade. Ele fica desolado e se sente muito solitário. 

Como tem asma, sua zelosa tia Maria o proíbe de tomar banho no rio, ficar até tarde com as crianças, ou até mesmo tomar chuva. Ele se sente preso e inquieto. Tem muito medo de morrer por causa da doença. Além disso, descobre o que aconteceu com seu pai e começa a temer ficar louco como ele.

Aos 12 anos, Carlinhos começa a 'virar homem'. Tem seu primeiro relacionamento com a negra Zefá Cajá, que passa para ele uma doença sexual. Nesta fase, é zombado por todos e percebe que nasceu para a maldade; tem fama de libertino, um perdido sem religião. Porém sempre se sentia solitário.

Seu avô resolve mandá-lo para um internato, para que ele tome jeito. Saudoso, parte para uma nova etapa, mas não esquece os momentos maravilhosos da sua infância no engenho.

Uma das personagens que mais chamou minha atenção, era Totonha, uma senhora que carregava na bagagem várias histórias, que as crianças adoravam.

"...e toda engelhada, tão leve que uma ventania poderia carregá-la, andava léguas e léguas a pé, de engenho a engenho, como uma edição viva da Mil e Uma Noites. Que talento ela possuía para contar as suas histórias com um jeito admirável de falar em nome de todos os personagens! Sem nem um dente na boca, e com uma voz que dava todos os tons às palavras."

"A velha Totonha era uma grande artista para dramatizar. Ela subia e descia ao sublime sem forçar as situações, como a coisa mais natural deste mundo. Tinha uma memória prodígio. Recitava contos inteiros em versos, intercalando de vez em quando pedaços de prosa, como notas explicativas."

Esta obra tem muito mais do que escrevi. Leia, releia, depois nos conte!

Boas Leituras!

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Nice Sestari


quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Sobrevivi para contar # 3/200...

Olá Caros Viajantes!

Esta leitura foi um aprendizado e tanto! Viajamos para Ruanda e conhecemos Immaculée Ilibagiza, uma sobrevivente do maior genocídio da história.



Immaculée nos leva para conhecer sua família e a vida que eles levavam antes do genocídio (1994). 

"Meus pais eram ambos professores e acreditavam firmemente em uma boa educação como única defesa contra a pobreza e a fome... foram os primeiros de suas famílias a obter um diploma de segundo grau e estavam decididos a fazer com que seus filhos fossem além." pg 24

Tudo vira de ponta cabeça, os que eram amigos se tornam inimigos, vizinhos se agridem de forma brutal, um holocausto surge por conflitos entre tútsis e hútus, as principais etnias do país.

Aos 22 anos, Immaculée não imaginava que ficaria longe de sua família, passaria confinada por três meses num minúsculo banheiro dividido com outras moças, passando por todo tormento físico e psicológico. E, do lado de fora, ouvindo vozes conhecidas que queriam matá-la a qualquer preço.

"Encontrei um cantinho do banheiro que podia chamar de meu: um cantinho dentro do meu coração... Era meu jardim secreto, onde falava com Deus, meditava sobre Suas palavras e cultivava meu eu espiritual." Pg 114

Até mesmo quem se propôs a ajudar, por vezes, demonstrava repúdio. O desespero batia a porta todo instante. 

Porém, Immaculée não perdia a fé.

"Aprendi, entretanto, que Deus jamais nos revela o que ainda não estamos prontos para entender, revela-nos aquilo que precisamos nos seja revelado, e quando chega a hora certa. Espera que nossos olhos e corações se tenham aberto para Ele..."

Uma história marcada pela fé e esperança, preconceito e maldade, ganância e poder, porém o que sobra são marcas profundas de ambos os lados. E o perdão é fundamental para seguir em frente.

Boa Leitura !
Nice Sestari








terça-feira, 27 de agosto de 2019

A Paixão pelos Livros

Olá Caros Viajantes!

Esta leitura foi maravilhosa, rápida e marcante! Somos convidados por vários escritores à conhecer suas histórias de forma delicada e apaixonante.

Super recomendo!!!!!


" CONTOS, CRÔNICAS e depoimentos de quem achou no livro seu paraíso particular e na leitura uma forma de abstrair-se das dores do mundo para nele encontrar algum sentido.

Alguns exemplos singulares de manifestações de amor aos livros, testemunhos dos prazeres escondidos nas bibliotecas, casos de paixão bibliômana.

O livro atravessou séculos de guerra e perseguição e saiu fortalecido. Nesta época de temores e incertezas, o livro e a cultura são as armas para manter os valores básicos do homem sempre acima dos conflitos de credo e de economia.

Nesta antologia, autores de diversas épocas e diversas origens, através de histórias, verídicas ou não, retratam uma História do mundo. Uma História do mundo com livros e pelos livros."

Boa Leitura!

Nice Sestari

domingo, 11 de agosto de 2019

"O Dragão de sua Majestade" - Naomi Novik


A história acontece na época de Napoleão, onde Inglaterra e França estão em guerra.

A serviço de sua Majestade, o capitão William Laurence, captura uma fragata francesa e nela consta uma carga que o capitão não imaginava que mudaria a sua vida.

Essa carga era um ovo. Mas não um ovo qualquer, e sim um ovo de dragão, da mais rara espécie chinesa.

Quando o ovo se choca, o dragão escolhe o seu cavaleiro, geralmente, é quem está mais perto e que teve o treinamento para montar num dragão. Mas Temeraire, o dragão, inesperadamente escolhe o capitão Laurence que nunca quis fazer parte do corpo aéreo, e sim seguir na sua carreira na marinha.

Só que sem explicação, os dois criam uma grande afinidade e o capitão larga a sua carreira sólida para treinar com Temeraire e aprender a ser um cavaleiro, afinal, é o cavaleiro quem ensina as táticas de batalhas aéreas.

Após um exaustivo e intenso treinamento ambos estão prontos para irem para guerra contra os franceses.

Na guerra, Laurence e Temeraire arriscam as suas vidas no combate aéreo. Mas nada abala a amizade, o companheirismo e a lealdade.

É uma história de fantasia e um emocionante combate aéreo, da autora Naomi Novik.

Colaboração de Ale Dies