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Mostrando postagens com o rótulo Contos

Graciliano Ramos

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BALEIA                                        Graciliano Ramos A cachorra Baleia estava para morrer. Tinha emagrecido, o pêlo caíra-lhe em vários pontos, as costelas avultavam num fundo róseo, onde manchas escuras supuravam e sangravam, cobertas de moscas. As chagas da boca e a inchação dos beiços dificultavam-lhe a comida e a bebida. Por isso Fabiano imaginara que ela estivesse com um princípio de hidrofobia e amarrara-lhe no pescoço um rosário de sabugos de milho queimados. Mas Baleia, sempre de mal a pior, roçava-se nas estacas do curral ou metia-se no mato, impaciente, enxotava os mosquitos sacudindo as orelhas murchas, agitando a cauda pelada e curta, grossa na base, cheia de roscas, semelhante a uma cauda de cascavel. Então Fabiano resolveu matá-la. Foi buscar a espingarda de pederneira, lixou-a, limpou-a com o sacatrapo e fez tenção de carregá-la bem para a cachorra não sofrer muit...

Ubuntu

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Lenda Ubuntu Uma vez, um homem branco foi visitar uma tribo africana e se perguntou quais eram os valores daquelas pessoas, ou seja, o que elas consideram importante para a coletividade. Então ele sugeriu uma brincadeira. Propôs para as crianças que fizessem uma corrida até uma árvore onde havia uma cesta cheia de frutas. Quem chegasse primeiro poderia ficar com a cesta inteira. As crianças então esperaram o sinal para começar a brincadeira e saíram de mãos dadas em direção à cesta. Por isso, chegaram ao mesmo tempo no lugar e puderam dividir as frutas que estavam na cesta. O homem, curioso, quis saber: — Se apenas uma criança poderia ficar com o prêmio todo, por que vocês deram as mãos? Uma delas respondeu: — Ubuntu! Não é possível haver felicidade se um de nós estiver triste! O homem ficou comovido. “Ubuntu” é uma palavra que vêm da cultura Zulu e Xhosa e significa “Sou quem sou porque somos todos nós”.  imagem google

Como Malazarte entrou no céu

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Como Malazarte entrou no céu                                                               Orlando Fernandes Quando Malazarte morreu e chegou ao céu, disse a São Pedro que queria entrar. O santo respondeu: — Estás louco! Pois tens coragem de querer entrar no céu, depois que tantas fizeste pelo mundo?! — Quero, São Pedro, pois o céu é dos arrependidos, e tudo quanto acontece é por vontade de Deus. — Mas teu nome não está no livro dos justos e portanto não entras. — Mas então eu desejava falar com o Padre Eterno. São Pedro se zangou com aquela proposta. E disse: — Não, para falares a Nosso Senhor, precisavas entrar no céu, e quem entra no céu dele não pode mais sair. Malazarte se pôs a lamentar e pediu que o santo ao menos o deixasse espiar o céu, só pela frestinha da porta, para tivesse uma ideia do que fosse o céu e lamentasse o que h...

A Rosa e o Sapo

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A Rosa e o Sapo                                         anônimo Era uma vez uma rosa muito bonita e charmosa. Que maravilha era saber que era a rosa mais bela do jardim. No entanto, dava-se conta de que as pessoas a olhavam de longe. Um dia, percebeu que, ao seu lado, sempre estava um grande e escuro sapo, e que era por isso que ninguém se aproximava para vê-la de perto. Indignada com a descoberta, ordenou ao sapo que fosse embora imediatamente.  O sapo, muito obediente, disse: “Está bem, se é assim que você quer.” Pouco tempo depois, o sapo passou por onde a rosa estava e se surpreendeu ao ver a rosa toda murcha, sem folhas e pétalas.  Disse-lhe, então: “Nossa, você está muito mal. O que aconteceu com você?”.  A rosa respondeu: “É que desde que você foi embora, as formigas vêm me comendo diariamente… nunca pude voltar a ser igual”.  O sapo somente respondeu: “Mas cla...

O homem chamado Namarasotha

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  O homem chamado Namarasotha                                                             Eduardo Medeiros Havia um homem que se chamava Namarasotha. Era pobre e andava sempre vestido com farrapos. Um dia foi à caça. Ao chegar ao mato, encontrou uma impala morta. Quando se preparava para assar a carne do animal, apareceu um passarinho que lhe disse: – Namarasotha, não se deve comer essa carne. Continua até mais adiante que o que é bom estará lá. O homem deixou a carne e continuou a caminhar. Um pouco mais adiante encontrou uma gazela morta. Tentava, novamente, assar a carne quando surgiu um outro passarinho que lhe disse: – Namarasotha, não se deve comer essa carne. Vai sempre andando que encontrarás coisa melhor do que isso. Ele obedeceu e continuou a andar até que viu uma casa junto ao caminho. Parou e uma mulher que estava jun...

O caçador de Borboletas

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O caçador de borboletas                                                          José Eduardo Agualusa Vladimir recebeu muitas prendas no Natal, entre livros, discos, legos, jogos de computador, mas gostou sobretudo do equipamento para caçar borboletas. O equipamento incluía uma rede, um frasco de vidro, algodão, éter, uma caixa de madeira com o fundo de cortiça, e alfinetes coloridos. O pai explicou-lhe que a caixa servia para guardar as borboletas. Matam-se as borboletas com o éter, espetam-se na cortiça, de asas estacadas, e dessa forma, mesmo mortas, elas duram muito tempo. É assim que fazem os colecionadores. Aquilo deixou-o entusiasmado. Ele gostava de insetos mas não sabia que era possível colecioná-los, como quem coleciona selos, conchas ou postais, talvez até trocar exemplares repetidos com os amigos. Nessa mesma tarde saiu para caçar ...

Ana Maria Machado

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 Olá Viajantes! Sem Spoiler Neste livro há quatro contos, encantadores! Primeiro conto : 'Todas as filhas' Conta a história da estudante de pintura no Curso de Arte Contemporânea , Olívia, "olhos imensos, cor de âmbar, curiosos, abertos para o mundo em volta como se a vida fosse uma coisa maravilhosa e cheia de surpresas. E o sorriso de encantamento que de vez em quando deixava transparecer a menininha,..."  E de Miguel. "Alto, magro, esguio – uma silhueta de toureiro[....]essa cútis amassada de azeitona e jasmim”. Olivia filha do jurista Demócrito Cavalcanti Sampaio, resolve ir embora com seu “amor”. Mas, decide contar ao seu pai que deseja ficar junto com Miguel. Esse pai foi muito sábio, digo de passagem. “Publicitário esperto! Ainda se anuncia como um artista romântico e perseguido político! Um gavião em cima da minha pombinha, isso sim. Tenho que dar um jeito nisso, proteger minha filha.” Fala muito do cotidiano e surpresas de quem tem adolescente em cas...

Conto de Clarice Lispector

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Tentação                                             Clarice Lispector Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva. Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era um...

Contos

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 Olá viajantes! Hoje vamos apresentar alguns livros para quem é apaixonado por contos! "Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores escritores da literatura brasileira, era mestre em recontar o cotidiano. Nesta nova edição de A cor de cada um , que contém textos adicionais e ilustrações inéditas, as histórias do dia a dia se transformam em deliciosos tesouros literários, selecionados para crianças e adolescentes. Suas palavras transmitem encantamento, humor e sensibilidade. Este livro é uma ótima chance de crianças e adolescentes de hoje lerem Drummond, conhecerem seu estilo e admirarem sua prosa e sua poesia." “Lugar nenhum” e outros contos reúne histórias da russa Nadiejda Téffi (1872–1952) que vão levar jovens (e adultos!) a exercitar todo tipo de riso: o riso largo, o riso de canto de boca, o riso terno, o riso entre lágrimas... As narrativas, sempre argutas e surpreendentes, tratam de nossa própria incoerência, dos adoráveis “absurdos” da lógica das crianças, das armadilh...

Conto Africano

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Lenda dos tambores africanos Conta a lenda que certo dia alguns macacos de nariz branco da região de Guiné Bissau, na África, planejaram trazer a lua até a Terra. Porém não sabiam como fazer para chegar até a Lua e trazê-la para baixo, até que o mais pequenino dos macacos teve uma ideia: o plano era subir uns nos outros até a alcançarem. Colocaram o plano em prática, subiram uns sobre os outros e chegaram até o céu e por fim o pequeno macaco conseguiu tocar na Lua. Mas antes que conseguissem puxar a Lua para a Terra, a pilha de macaquinhos não suportou o peso e cedeu. Todos caíram, menos o macaco pequenino, que ficou agarrado à Lua. A Lua então segurou-o pela mão e achou a cena muito engraçada. Tornaram-se amigos e a Lua deu-lhe de presente um tambor branco, que logo o macaquinho aprende a tocar. O tempo passou, e o macaquinho começou a sentir cada vez mais saudade de sua família e amigos lá embaixo na Terra. Sentia falta também das árvores e bananeiras que deixara para trás. Assim, re...

Contos de Natal #5

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Olá Caros Viajantes! "Considerado um dos mais belos escritos do autor, este conto tem emocionado gerações. Quando Jesus percorria a Galileia, os poderosos procuravam Jesus, mas Ele não aparecia. Um dia, uma pobre viúva, mãe de filho deficiente ouviu falar de Jesus e dos seus milagres. A criança pediu à mãe que lhe trouxesse Jesus, esperando o tal milagre (im)possível… Ao que a mãe respondeu: se nem homens ricos e poderosos o haviam conseguido encontrar, que hipótese teria ela!?" O Suave Milagre                                      Eça de Queirós    O mendigo apanhou o seu bordão, desceu pelo duro trilho, entre a urze e a rocha. A mãe retomou o seu canto, mais vergada, mais abandonada.  E então o filhinho, num murmúrio mais débil que o roças de uma asa, pediu à mãe que lhe trouxesse esse Rabi, que amava as criancinhas ainda as mais pobres, s...

Um Conto de Natal

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Olá Caros Viajantes! Junto com Charles Dickens, viajamos numa emocionante história, publicada pela primeira vez em 1843. A  história do senhor Ebenezer Scrooge, um velho sovina, avarento e de grande mau humor.  Há sete anos seu sócio Marley faleceu, porém na véspera do Natal, seu amigo aparece e lhe dá um aviso, para que ele mude sua maneira de viver, pois caso não o fizesse ele sofreria na sua pós vida. Mesmo vendo o amigo, não acreditou em nada daquilo, achando que era fruto da sua imaginação. Marley avisa o amigo, que ele receberá a visita de três fantasmas. Estes seriam os fantasmas dos natais passado, presente e futuro. O primeiro fantasma apareceu e convidou o Scrooge a dar um passeio, logo o velho reconheceu o natal de sua infância, viu sua querida irmã, seu pai e seus colegas, foi logo lhe apertando o peito de ver aquele menino que já não existia mais. Uma pontinha de arrependimento tocou seu coração. Logo depois apareceu o segundo fantasma, e...

Contos de Natal #4

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Olá Caros Viajantes! Quando o pinheirinho foi pela primeira vez utilizado como árvore de Natal, ninguém sabe. Mas, há muitas lendas! Escolhemos uma lenda muito singela e delicada. Esperamos que gostem! A LENDA DA ÁRVORE DE NATAL                                                                           Autor Desconhecido Quando o Menino Jesus nasceu, todas as pessoas, animais e árvores sentiram uma imensa alegria. Do lado de fora do estábulo onde o Menino dormia, estavam três árvores: uma palmeira, uma oliveira e um pinheirinho. Todos os dias as pessoas passavam e deixavam presentes ao Menino. - Nós também devíamos dar-lhe prendas! - disseram as árvores. - Eu vou lhe dar a minha folha mais larga, disse a palmeira - quando vier o tempo do calor ele poderá se abanar com ela e...

Contos de Natal #3

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Olá Caros Viajantes! No século XVII, os freis franciscanos começaram a decorar as igrejas com as Poinsétias, as famosas bico-de-papagaio como são conhecidas aqui no Brasil, por serem parecidas com a Estrela de Belém. A Lenda da Flor de Natal                                                                                         autor desconhecido Diz a lenda, que uma menina chamada Pepita, sendo pobre, não podia oferecer um presente merecedor ao menino Jesus, na missa de Natal. Muito triste, contou o fato ao seu primo Pedro, que ia com ela a caminho da igreja.  Este disse-lhe que ela não tinha que estar triste, pois o que mais importa quando oferecemos algo a alguém, é o amor com que oferecemos, especialmente aos olhos de J...