sábado, 21 de março de 2020

Machado de Assis - Conto # 5

Olá Viajantes Machadianos!

Vamos para mais um conto retirado 'Contos Fluminenses', Confissões de uma Viúva Moça.

Atenção: Contém Spoiler!!!

Logo após a morte de seu esposo Eugenia foi morar em Petrópolis, muitos achavam que ela se isolou por causa da viuvez.

Na verdade Eugenia tinha outros motivos para  isolar - se, porém ela resolve contar para sua amiga Carlota, o que a fez deixar a corte. Escreve 07 cartas à amiga, revelando o real motivo.

Certa noite, Eugenia foi ao teatro, e percebe que um rapaz a observa insistentemente, ao mesmo tempo que se sentiu envaidecida, ficou assustada com tamanha audácia. Resolveu ir embora antes da peça terminar. E ao sair, quem estava num ponto estratégico a encara-la do mesmo modo fixo? O belo rapaz!

Esse fato deixou Eugenia tão perturbada, que resolveu se afastar por algum tempo da vida social. Para sua surpresa, ela recebe uma carta do misterioso rapaz. Ao mesmo tempo que ficou curiosa, sentiu-se envergonhada e confusa.

Logo, resolveu dar o fim naquela carta. Mas, para sua surpresa, o marido a surpreendeu. Eugenia, correu para os braços dele, que friamente se afasta sem nada dizer. O coração da jovem moça se entristece ao ver a indiferença de seu marido, uma amargura toma posse de sua alma.

Eugenia era uma moça feita para o casamento, tinha uma vida social ativa, mas sem muitas novidades, e  percebe-se que ela não era muito feliz no casamento.

Depois de algum tempo, Eugenia tem uma grande surpresa, seu marido traz nada mais, nada menos que seu admirador Emílio, e ele começa a frequentar a casa do casal.

Como fugir de tal acontecimento? Emílio se declara para Eugenia que se vê apaixonada e acaba por se deixar  levar pelas juras de amor do rapaz. Mas, ela se sente mal com esta situação.

Como a vida é cheia de surpresas, seu marido adoece, e em poucos dias vem a falecer. Emílio deu todo apoio e consolo, mas com o tempo as visitas se tornam escassas. Até que  Emílio escreve para Eugenia, deixando claro que não a queria para casamento, que foi apenas uma aventura.

O que nos surpreendeu neste conto foi que Machado coloca a mulher em primeiro plano, sendo ela narradora de seus sentimentos e, de forma epistolar, Eugenia vai dando um aspecto confessional de sua saga amorosa.

Lembrando que, a mulher no século 19, mal tinha espaço para se expressar e jamais seria o ponto central de qualquer narrativa. 

Eugenia nos mostra suas verdades, fraquezas, deixa claro sua carência, porém soube silenciar no momento certo e se mostrou firme em seus princípios.

Já na figura de Emílio, Machado mostra a soberania masculina. A atitude do rapaz nos leva a crer que ele é altamente machista, volúvel, mal caráter, trata a mulher como objeto de seu desejo e prazer.

Emílio, sem cerimonia alguma, descarta Eugenia, sem se preocupar com seus sentimentos! Nosso autor deixa bem claro como era a sociedade na época. Não diferente dos tempos de hoje, em que vemos manchetes de homens que enganam mulheres carentes e que por muitas vezes dão grandes golpes financeiros.

Outro ponto que nos chamou a atenção foi a forma que Machado nos insere na história. Carlota recebe as cartas de Eugenia, mas na verdade a amiga seria nós leitores. Isso é sensacional!

Grande Machado de Assis!

Até breve, com o próximo conto " Linha Reta e Linha Curva"..

Esta leitura faz parte do Projeto Machado de Assis. Participe conosco e não esqueça de dar os devido créditos!

Nice Sestari







4 comentários:

  1. Muito interessante essa leitura da vida amorosa feminina em outros tempos, para refletir.
    Abraço, Nice e Ale, cuidem-se.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Dalva! Machado sempre nos deixa uma reflexão em suas obras, muito bom isso!Obrigada pelo carinho! Estamos aqui em isolamento social, fazendo nossa parte. Paz e Bem!

      Excluir
  2. Machado estava bem à frente do seu tempo, Emílio nada diferente dos homens de hoje. Como dizia minha mãe, na vida nada é novo , td vem do começo do mundo.

    Muito bom, esperemos o próximo conto.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Diná! Verdade nada é novo, pode passar o tempo, mas a essência do homem continua lá! A cada conto que leio, tenho grandes reflexões para fazer! Bjs!

      Excluir